Como a anemia normocítica é investigada?

A anemia normocítica, diferente das anemias micro e macrocíticas, não possui um plano de investigação definido.

Outros diagnósticos diferenciais de anemia normocítica se impõem: a anemia de sangramento agudo e a anemia hemolítica. Ambas apresentam certo grau de eritropoiese compensatória, com discreto grau de sangramento ou de hemólise, que devem ser estudadas pela contagem de reticulócitos.

Um achado morfológico relevante, o “empilhamento” das hemácias (roleaux), sugere o diagnóstico de mieloma múltiplo, uma neoplasia de plasmócitos na medula óssea, observada pela eletroforese de proteínas séricas que identifica o pico monoclonal característico e pelo mielograma (figuras 2 e 3).

Na falta de outros achados morfológicos, as doenças sistêmicas devem ser investigadas: doenças renais (uréia e creatina), doenças hepáticas (ALT, AST, DHL e g-GT) e doenças hormonais (TSH e T4L).

Na presença de outras alterações do hemograma (leucopenia, leucocitose, plaquetopenia, etc.), as doenças medulares devem ser investigadas pelo mielograma.

Figura 2: Empilhamento de hemácias (roleaux) e um plasmócito em paciente com mieloma múltiplo. A anemia era discreta (Hb: 10,5g/dL) com VCM e HCM normais.

Figura 2: Empilhamento de hemácias (roleaux) e um plasmócito em paciente com mieloma múltiplo. A anemia era discreta (Hb: 10,5g/dL) com VCM e HCM normais.

Figura 3: Eletroforese de proteínas séricas em dois casos diferentes de mieloma (1) e (2), comparadas com proteínas normais (3 a 6). No caso 1 há uma gama monoclonal na região típica de IgG, com 35% de concentração. No caso 2 a gama monoclonal está posicionada na região típica de IgA e tem concentração de 65%.

Figura 3: Eletroforese de proteínas séricas em dois casos diferentes de mieloma (1) e (2), comparadas com proteínas normais (3 a 6). No caso 1 há uma gama monoclonal na região típica de IgG, com 35% de concentração. No caso 2 a gama monoclonal está posicionada na região típica de IgA e tem concentração de 65%.