Células Tronco
Autor: Celso Fernando Góes
Resumo: Um novo ramo da área
biomédica baseado na utilização
de células tronco, chamado medicina regenerativa,
vem despertando a esperança de profissionais
e pacientes nos mais diferentes aspectos da saúde
humana. Trata-se da utilização de
um tipo de células que têm a capacidade
de se "transformar" em qualquer outro
tipo celular. Estas são chamadas células
tronco e, como a denominação indica,
são como o tronco de uma árvore, que
pode diferenciar-se nos mais diferentes ramos. As
células tronco são as precursoras
de muitas outras células que formam o corpo
do ser vivo. Na espécie humana, um novo indivíduo
é gerado pela fecundação do
gameta feminino (ovócito) pelo gameta masculino
(espermatozóide). Após a fertilização,
forma-se a primeira célula (chamada zigoto)
que, por meio de divisões sucessivas, dará
origem ao embrião. O zigoto, portanto, é
capaz de gerar todos os tipos celulares existentes
em um organismo adulto. Por volta de 4 dias após
a fecundação, o concepto pré-embrionário
tem cerca de 50 células que continuarão
dividindo, dispondo-se em duas camadas celulares.
Antes do final da primeira semana de desenvolvimento,
as células da camada interna originarão
o embrião. São as células do
embrião que são as chamadas células
tronco, e são elas que têm potencialidade
biológica para diferenciar-se em células
específicas de tecidos de qualquer órgão
ou estrutura do corpo humano. Mas além das
células tronco embrionárias, nosso
corpo tem um estoque de células maduras,
encontradas no organismo de pessoas adultas. Foi
constatado que a pele, intestino, medula óssea,
fígado, pâncreas, músculo esquelético,
tecido adiposo e tecido nervoso têm um estoque
de células tronco com uma capacidade de regeneração
após lesões. Observou-se, ainda, que
tais células tronco adultas não são
apenas multipotentes (capazes de gerar células
específicas de seu próprio tecido),
mas são também pluripotentes (podem
também gerar células específicas
de outros tipos de tecidos, como aqueles do embrião).
Experimentos têm demonstrado que, quando mantidas
em laboratório recebendo tratamentos especiais,
tais células conseguem se diferenciar podendo
ser, posteriormente, transplantadas num indivíduo
com a finalidade de substituir células danificadas
ou regenerar tecidos de órgãos doentes.
Com este rápido procedimento, a medicina
regenerativa prevê tratar dezenas de enfermidades,
sem correr o risco da incompatibilidade imunológica.
Sob o ponto de vista curativo, não há
como negar a evidente utilidade terapêutica
e os benefícios médicos deste procedimento,
basta ainda que muitas investigações
sejam realizadas.
Testes de Quantificação Viral
do HIV-1
Autor: Cibele Cazonato Moreira
Resumo: A partir da descoberta
do vírus da AIDS e da possibilidade de infecção
via transfusão sangüínea, o desenvolvimento
de um kit-diagnóstico se tornou prioritário.
O avanço das pesquisas tem levado ao desenvolvimento
de tecnologias adequadas para avaliar laboratorialmente
o curso da infecção pelo vírus
da imunodeficiência humana – HIV, principalmente
nos portadores que ainda não apresentam sintomas
da síndrome da imunodeficiência humana
adquirida – AIDS. O HIV tem como material
genético o RNA, e é classificado como
retrovírus em função de possuir
a enzima transcriptase reversa. Esta enzima, no
estágio inicial da replicação
viral, promove a síntese da dupla fita de
DNA viral a partir de um molde de RNA. O nível
de RNA do HIV no plasma é um marcador clínico
importante. O número de partículas
virais é mais elevado durante a infecção
primária e mais baixa na fase assintomática.
Existe uma relação direta entre a
quantidade de HIV detectada e a rapidez com que
a infecção progride. Níveis
elevados da replicação do vírus
e o aumento da carga viral estão associados
à deterioração acelerada do
sistema imune. Os testes de carga viral medem o
número de partículas do HIV presentes
no sangue periférico. Nesse tipo de teste,
o HIV é detectado pelo seu material genético
e as metodologias disponíveis baseiam-se
na amplificação direta ou indireta
dos ácidos nucléicos. Dessa forma
na tecnologia NASBA e no Amplificador HIV Monitor
Test a amplificação é direta,
ou seja, ocorre um aumento da quantidade de ácido
nucléico e detecta-se o produto final por
hibridização; no Quantiplex HIV-RNA
a amplificação é indireta,
ocorre primeiro uma hibridização e
depois uma amplificação do sinal do
produto hibridizado. Essas três metodologias
de quantificação do RNA viral apresentam
eficácia semelhante e são muito reprodutíveis.
Entretanto, elas estão baseadas em princípios
diferentes e, por isso, sugere-se que os resultados
sejam comparados dentro do mesmo método.
Atualização no diagnóstico
em leucemias através da biologia molecular
Autor: Deborah Vittori
Resumo: As leucemias são
um grupo muito heterogêneo de doenças
que variam na sua etiologia, curso clínico
e prognóstico. Um diagnóstico e uma
classificação precisa em leucemia
obtidos através de um guia completo dos princípios
do diagnóstico e da classificação,
podem determinar em última análise,
a escolha da terapia e o possível prognóstico
da doença para o paciente. O diagnóstico
e a classificação das leucemias podem
assim ser discutido de forma útil à
hematologistas e aos cientistas de laboratório
em hematologia e em disciplinas relacionadas. Além
disso, os estudos de citogenética e genética
molecular podem aumentar a compreensão da
relação destas disciplinas com o diagnóstico,
classificação das leucemias e dos
distúrbios relacionados. Os genes envolvidos
nas aberrações genéticas em
leucemias agudas possuem um papel importante no
desenvolvimento e função de células
linfóides e mielóides. Eles geralmente
codificam fatores de transcrição,
mas também são responsáveis
pelos reguladores do ciclo celular, sinal de transdução
de moléculas, receptores, ou moléculas
de TCR e Ig. Vários estudos clínicos
tem mostrado que aberrações cromossomais
em leucemia linfóide aguda (LLA) e leucemia
mielóide aguda (LMA) podem ser usadas para
classificação de grupos de risco,
ao passo que a translocação t(12;21)
em LLA, assim como as translocações
T(8;21), t(15;17) e também a inversão
inv(16) em LMA estão associadas com um bom
prognóstico. Além desta classificação
citogenética molecular no diagnóstico
da leucemia aguda, aberrações cromossômicas
com regiões de fusão de genes específicos
de leucemia, podem também ser usados como
moldes para reações de PCR na detecção
de DRM, durante acompanhamento médico ao
paciente. Está claro que estes estudos prováveis
sobre doença residual mínima são
viáveis e que uma classificação
de grupos de risco em doença residual mínima
clinicamente relevantes podem ser obtidos e então
utilizados para se estabelecer novos protocolos
de tratamento. Além da reação
polimerase em cadeia (PCR), podemos contar com outros
métodos para o estudo genético de
células neoplásicas, tais como, análise
de cariótipo, análise de hibridização
in situ fluorescente, análise Southern Blot
e mais recentemente o método das estruturas
de microarranjos de DNA que permitem uma análise
rápida e compreensiva da transcrição
celular através da hibridização
do RNA mensageiro marcado com sondas de DNA, que
são imobilizadas em um suporte sólido.
É provável que os microarranjos de
DNA venham substituir a maioria dos outros métodos
rotineiros de varredura para mutações.
A tecnologia de chip gênico promete revolucionar
a varredura para mutações, bem como
outras áreas da genética molecular
humana. Todavia, a revolução ainda
não aconteceu. Os últimos avanços
são abordados por Hacia (1999).
Triagem molecular para HCV em doadores de
sangue
Autor: Denise C. Martins Basso
Resumo: A Hepatite C é
hoje a principal causa das hepatites por transmissão
parenteral. Constitui um dos mais importantes problemas
de saúde pública da atualidade, devido
a sua alta prevalência de 0,5 a 15% entre
doadores de sangue e elevada proporção
para evolução crônica da doença,
que chega atingir 85% dos casos. A infecção
é geralmente assintomática, podendo
produzir cirrose em 20% dos casos e destes desenvolver
câncer primário do fígado em
um grande percentual deles. Sabe-se, hoje, que a
grande maioria das hepatites virais, antes rotuladas
não-A-não-B, eram na verdade, causadas
pelo HCV. A disponibilidade de teste diagnósticos
data de 1989, quando foi decodificado o genoma do
HCV por Choo et al. A produção de
antígenos e peptídeos sintéticos
possibilitou o desenvolvimento de testes que permitem
a detecção de anticorpos contra o
HCV (Anti-HCV), como os testes ELISA (enzyme –
linked immunosorbent assay), RIBA (recombinant immunoblot
assay) e Western-Blot. A terceira geração
desses testes, que já está disponível,
é proporcionalmente mais sensível
e específica do que a primeira e segunda
gerações. O desenvolvimento de técnicas
para detecção qualitativa e quantitativa
do ácido ribonucléico (RNA) do HCV,
por meio da reação em cadeia polimerase
(polymerase chain reaction, PCR), aumentou a sensibilidade
diagnóstica. Também tornou-se possível
determinar o genótipo do HCV em laboratórios
clínicos, o que pode ser útil em situações
específicas. A disponibilidade de diferentes
testes viabiliza o diagnóstico precoce, minimizando
o potencial para disseminação da infecção,
e torna relevante a discussão das indicações
de cada teste, a partir de sua sensibilidade e especificidade.
Atualmente, o método mais utilizado para
detecção de anticorpo contra o HCV
é o teste imunoenzimático ELISA da
3ª geração, que contém
frações antigênicas das regiões
não estruturais e da região estrutural
do vírus. Os testes RIBA, Western-Blot e
PCR são utilizados como ensaios suplementares.
Hoje, por meio das técnicas PCR e NAT, é
possível acompanhar o estado de infecção
pelo HCV, determinar seus genótipos, conduzir
melhor o tratamento e diminuir as possíveis
contaminações por transfusões
de sangue, caracterizando os indivíduos que
realmente possuem o vírus e diminuir a fase
da "janela imunológica", que é
o período prévio à soroconversão.
Os estudos para o desenvolvimento de uma vacina
anti-HCV ainda estão em andamento, portanto
recomenda-se a triagem cuidadosa na doação
de sangue e o uso de medidas de prevenção
em situações profissionais e práticas
sexuais. Atualmente são esses os únicos
meios seguros de reduzir a infecção
pelo HCV.
Aplicações básicas
da biologia molecular no diagnóstico da anemia
falciforme
Autor: Eunice de Paiva R. Fernandes
Resumo: A Anemia Falciforme (Hb
SS) é caracterizada como uma das doenças
genéticas mais freqüentes na população
brasileira. A mutação que ocorreu
no gene da Hb S é causada por uma alteração
na cadeia beta, decorrente da substituição
de uma base nitrogenada, a adenina (A), por outra,
a timina (T) no sexto códon do gene beta,
que de GAG passa para GTG, provocando a substituição
do ácido glutâmico pela valina na cadeia
polipeptídica. Essa simples substituição
de um nucleotídeo no DNA e de um único
aminoácido na cadeia polipeptídica
leva a hemoglobina a assumir uma configuração
espacial diferente, que causa a deformação
das hemácias fazendo com que estas células
assumam a forma de meia-lua ou de foice. Dentro
de um mesmo genótipo Hb SS pode-se observar
variações individuais e regionais
influenciadas por fatores genéticos e ambientais,
sendo de fundamental importância um diagnóstico
laboratorial preciso dessa alteração
genética. Vários fatores modificantes
vêm sendo estudados, sendo os mais importantes
atualmente: os níveis de Hemoglobina Fetal
(Hb F), a coexistência de outras hemoglobinopatias
hereditárias e os diferentes haplótipos
para a Hb S. A Biologia Molecular tem provocado
notável evolução nos métodos
de diagnóstico da Anemia Falciforme. Conhecimentos
sobre a regulação da expressão
gênica e a possibilidade da transfecção
de genes para células progenitoras hematopoiéticas
abrem campos de investigações importantes
para o tratamento dessa doença. A reação
de polimerização em cadeias (PCR-Polimerase
Chain Reaction) revolucionou a biologia molecular,
permitindo o rápido avanço na codificação
genômica, visto que requer um mínimo
de material gênico para sua realização.
Permitiu, também, o desenvolvimento de novas
técnicas de análise clínico-laboratorial
e um rápido avanço em diversas áreas
da Biologia e da Medicina, com um acúmulo
de novos conhecimentos extremamente rápidos
– em menos de uma década. Diante dessas
considerações, essa pesquisa teve
como objetivos: a) revisar a literatura sobre os
principais conceitos relacionados à epidemiologia,
fisiopatologia, terapia e variabilidade molecular
da Anemia Falciforme e b) descrever a evolução
dos métodos moleculares de diagnóstico
da Anemia Falciforme. Cada vez mais os profissionais
de saúde necessitarão acompanhar as
novas informações científicas.
A correta identificação e caracterização
da Anemia Falciforme, as reativações
dos genes gama, por agentes farmacológicos,
para indução de hemoglobina fetal,
bem como, a prevenção, por meio do
aconselhamento genético, são as maneiras
mais eficientes de se lidar com essa doença.
Apesar dos esforços de vários cientistas,
no sentido de amenizar o sofrimento de pacientes
e familiares acometidos pela Anemia Falciforme,
o tratamento dessa doença genética,
mesmo quando disponível ainda é inadequado.
Infelizmente os métodos de tratamento não
evoluíram na mesma proporção.
Dessa forma, a perspectiva de se intervir diretamente
no gene alterado, corrigindo-se o defeito primário,
ainda consiste na maior esperança de tratamento
da Anemia Falciforme.
Terapia Gênica
Autor: Franciele Alves Constantino
Resumo: A consideração
dos problemas éticos potenciais da terapia
gênica deve levar em conta as diferenças
intrínsecas entre a terapia das células
somáticas e da linhagem germinativa. Na proposta
atual da terapia somática, um gene inserido
no indivíduo com a finalidade de corrigir
uma doença genética e, caso o tratamento
seja um sucesso, o gene funcionará somente
durante o período de vida daquele indivíduo.
Por ser um procedimento que do ponto de vista ético,
não difere de um transplante de órgãos,
tem sido, geralmente, aceito por grupos religiosos
e aprovado por vários governos. Na terapia
gênica das células germinativas, que
na prática significa inserir um gene em ovos
fertilizados ou em embriões no início
do desenvolvimento, o gene exógeno estaria
presente em todas as células do futuro indivíduo,
podendo também ser transmitido para as gerações
futuras. Certamente tal proposta envolve problemas
éticos muito mais sérios e tem sido
considerada inaceitável no presente momento.
Primeiro, a inserção de genes em ovos
fertilizados envolve riscos aceitáveis para
a criação de animais transgênicos,
mas inconcebíveis para a espécie humana.
Segundo, no que se refere à eliminação
de defeitos genéticos graves o diagnóstico
pré-natal e o aborto terapêutico, serão,
por longo tempo ainda, soluções muito
seguras com menores consequências éticas
e morais. Outro ponto a ser considerado é
que atualmente não se tem idéia sobre
qual seria a estabilidade de um gene exógeno
nas gerações futuras e nem sobre seus
possíveis defeitos deletérios a longo
prazo. Pelas razões apresentadas anteriormente,
a curto ou a médio prazo não há
razões para se considerar a terapia das células
germinativas como um procedimento aceitável
na espécie humana, mas todas as restrições
para que a terapia gênica aconteça
é conseqüência da juventude da
tal técnica. Sendo preciso ainda muitas pesquisas,
estudo e tentativas para que em um futuro próximo
as doenças sem cura na atualidade recebam
um tratamento facilitado.
Diabetes
Autor: Gabriela Hildebrand Issa
Resumo: O diabetes, doença
que compromete o organismo de utilizar a glicose,
pode no início não manifestar sintomas.
Quando estes sintomas se manifestam, é sinal
de que algo em nosso organismo está exigindo
mais do que podemos suportar. Esta doença
em casos mais leves, pode não apresentar
sintomas. Somente através de exames de rotina
como: exame de urina e de sangue será diagnosticado
o açúcar na urina e o aumento da taxa
de glicose no sangue. Muitas pessoas, por não
realizarem os exames, não aceitam quando
a doença aparece, pois esta é uma
doença silenciosa e incurável. O diabetes
ocorre com freqüência em pessoas obesas,
que possuem uma vida sedentária. A melhor
maneira de se tratar é fazendo atividades
físicas e mudando o modo da alimentação
e levar uma vida sem muita agitação
e estresse.
Distúrbios Mitocondriais
Autor: Janeth Silva Pinheiro
Resumo: A mitocôndria é
uma organela intracelular, responsável pela
respiração celular. A energia armazenada
é utilizada pelas células para realizar
suas funções como: movimentação,
secreção e multiplicação.
Possui duas membranas (interna e externa), o espaço
na membrana interna é chamado de matriz mitocondrial,
onde contém várias cópias idênticas
do DNA genômico mitocondrial, ribossomos mitocondriais
especiais, RNAs e enzimas necessárias para
a expressão dos genes mitocondriais. Tem
seu próprio DNA que é uma molécula
circular, tem 16,5kb de tamanho que codifica 22
moléculas de RNA transportador, 2 RNA ribossômico
e 13 subunidades protéicas que fazem parte
dos complexos envolvidos na cadeia respiratória,
não tem íntrons, é transmitida
exclusivamente da mãe. As mutações
do DNA são transmitidas pela linhagem materna.
A expressão clínica das mutações
mitocondriais vai depender da quantidade de DNA
mitocondrial mutante existente na célula.
Os tecidos que requerem grande quantidade de energia
são os mais afetados nos casos de mutações
do DNAm, como: células nervosas, musculares,
endócrina, ópticas e auditivas. As
mutações no DNAm afetam os complexos
protéicos da cadeia respiratória,
tendo um déficit de energia nos tecidos,
onde tem uma grande quantidade de mitocôndrias,
os principais distúrbios mitocondriais são:
Síndrome de Kearns-Sayre (Kss), Neuropatia
Óptica Hereditária de Leber (LHON),
Encefalopatia Mitocondrial (MELAS), Epilepsia mioclônica
com fibras vermelhas anfractuadas (MERRF), Surdez
não crônica, diabetes.
Diagnóstico molecular da Anemia Falciforme
Autor: Juvanete Amoras Távora Miranda
Resumo: Embora a anemia falciforme
tenha sido a primeira doença genética
a ser estudada e esclarecida em 1978, pouco se avançou
no uso da análise de DNA como diagnóstico
desta patologia em razão do alto custo. Apesar
da anemia falciforme ser considerada um caso de
saúde pública brasileira, somente
recentemente tornou-se obrigatório na triagem
neonatal (teste do pezinho) a realização
de exames para a detecção desta patologia.
Em alguns casos a anemia falciforme pode estar associada
com outras variantes de hemoglobina, nestas situações
a técnica de reação em cadeia
de polimerase (PCR) ou Southern blotting deve ser
indicada como diagnóstico confirmatório.
Este trabalho demonstra a evolução
do diagnóstico molecular da anemia falciforme
através de técnica de análise
de DNA, mas em razão do alto custo, sua aplicação
é pouco utilizada.
Uso de sequenciamento (genotipagem) do vírus
HIV-1 para avaliar resistência aos anti-retrovírus
Autor: Karen Cristina Martins de Almeida
Resumo: O exame da Genotipagem
do vírus da Imunodeficiência humana
(HIV-1), também conhecido pelo nome de teste
da resistência às drogas, tem como
objetivo detectar a presença de mutações
no genoma viral. Diversos estudos, conduzidos com
pacientes em tratamento experimental tem demonstrado
fortes associações entre a presença
de resistência à droga e falha no tratamento
anti-retroviral, em suprimir a replicação
do vírus. A interpretação dos
resultados de Genotipagem requer análise
das mutações levando em consideração
as drogas utilizadas, bem como o potencial para
resistência cruzada com outras drogas. Para
Genotipagem é necessário uma carga
viral mínima de 1.000 cópias de vírus
circulante, para que seja possível a amplificação
e o sequenciamento dos genes virais. Com o uso da
enzima transcriptase reversa, um DNA complementar
é sintetizado e, posteriormente amplificado
pela técnica de PCR. Para cada paciente seqüencia-se
tanto o gene da protease como o da transcriptase
reversa em um seqüenciador automático.
Empregando-se softwares específicos, as seqüências
obtidas são compiladas em fita única
e comparadas com a descrita como protótipo
do HIV-1, para identificação das mutações
existentes em cada um dos genes estudados. Tanto
a lista de mutações conhecidas como
suas interpretações são constantemente
atualizadas pelos bancos de dados internacionais.
O resultado negativo não afasta a possibilidade
da presença de uma população
viral resistente. Além disto, o aparecimento
de resistência viral, especialmente em pacientes
que já fizeram uso de mais de um esquema
anti-retroviral, limita severamente uma opção
terapêutica futura. Portanto, é de
crucial importância que a decisão da
escolha de um novo tratamento seja baseada no maior
número de informações possíveis.
A Genotipagem do HIV-1 é indicada para pacientes
que: a) ainda não deram início ao
tratamento com drogas anti-retrovirais, para definição
do perfil genotípico da população
viral infectante; b) apresentam aumento da carga
viral ou queda dos linfócitos CD4+ mesmo
em tratamento; c) receberam muitas drogas anti-retrovirais;
d) recentemente diagnosticados nas áreas
de alta prevalência de vírus resistentes.
A biologia molecular no monitoramento de
pacientes HIV positivos
Autor: Roberta Barbosa Lopes
Resumo: A Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida (AIDS) é uma manifestação
clínica avançada da infecção
pelo vírus da imunodeficiência humana
(HIV-1 e HIV-2), que leva a uma imunodepressão
progressiva, especialmente da imunidade celular,
resultando em infecções oportunistas,
neoplasias e/ou manifestações (demência,
caquexia, etc.) que são condições
definidoras de AIDS. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) estima que, em todo
o mundo, mais de 42 milhões de pessoas estejam
contaminadas pelo HIV, além do número
de pessoas infectadas estar aumentando de forma
expressiva, principalmente nos países mais
pobres ou em desenvolvimento. O Brasil é
um dos países com maior número de
casos notificados de AIDS no mundo, contando mais
de 230mil casos registrados até 2002. Métodos
de biologia molecular têm sido amplamente
utilizados para a detecção e quantificação
do cDNA HIV-1 e RNA HIV-1. Técnicas mais
recentes, como hibridização, amplificação
e o sequenciamento de nucleotídeos, ou ainda
a transferência de moléculas de ácidos
nucléicos (recombinantes ou não) para
células eucarióticas, têm propiciado
ferramentas para um melhor conhecimento de diversos
processos biológicos. A Carga Viral é
o principal parâmetro para avaliar a progressão
da AIDS e monitorar a resposta à terapia
antiretroviral, seguido pela contagem de linfócitos
CD4+. Altos níveis de HIV RNA plasmático
refletem em um pior prognóstico e uma rápida
progressão para a AIDS após soroconversão.
Diversas metodologias são utilizadas para
a quantificação do HIV-1 RNA no plasma,
como a RT-PCR (Transcrição Reversa),
Amplificação do Ácido Nucléico
Baseado na Seqüência (NASBA), ambos baseados
nas técnicas de amplificação
de ácido nucléico, e o DNA Ramificado
ou Branched-DNA (bDNA), que é baseado na
amplificação do sinal.
Variação molecular do sistema
Rh em pacientes portadores de anemia falciforme
Autor: Silvana de Fátima Furquim
Resumo: O sistema Rh é
o maior, mais complexo e mais imunogênico
sistema de grupos sanguíneos. Representa
um dos sistemas de maior interesse clínico,
por seu envolvimento na Doença Hemolítica
Peri-Natal; nas Reações Transfusionais
Hemolíticas e nas Anemias Hemolíticas
Auto-Imunes. Os antígenos do sistema Rh são
codificados por dois genes altamente homólogos,
RHD e RHCE. As bases moleculares da maioria dos
fenótipos Rh foram determinadas nos últimos
10 anos e rearranjos gênicos, deleções
e mutações de ponto podem ser responsáveis
por algumas variantes dos antígenos RhD e
RhCE. A elucidação da base molecular
das variantes Rh possibilitou o desenvolvimento
de técnicas para a determinação
de variantes que parecem ser predominantes em algumas
populações. Desta forma, é
possível estabelecer a correlação
adequada entre os genótipos e os fenótipos
e o esclarecimento da perda de expressão
de alguns antígenos Rh comuns. A determinação
da frequência das variantes Rh em populações
distintas pode auxiliar na determinação
de fenótipos raros que não são
caracterizados sorologicamente. Estudos envolvendo
variantes Rh em pacientes falciformes politransfundidos,
poderão em futuro próximo auxiliar
no melhor entendimento da correlação
entre o fenótipo e o genótipo e aumentar
a segurança transfusional destes pacientes
que muitas vezes desenvolvem anticorpos após
transfusional destes pacientes que muitas vezes
desenvolvem anticorpos após transfusão
de sangue. Tendo em vista a relevância que
a caracterização molecular das variantes
do sistema Rh pode vir a ter na segurança
transfusional de pacientes falciformes, foram nossos
objetivos: padronizar técnicas moleculares
para realização da genotipagem RHD
e RHCE, determinar a frequência do pseudogene
RHD e do gene híbrido RHD-CE-DS em pacientes
com os fenótipos Ror e rr; verificar a frequência
dos antígenos D parciais categorias DIIIa,
e DVa e DAR em pacientes RhD-positivo e determinar
a ocorrência das variantes do antígeno
Rhe em pacientes com o alelo Rhce. A frequência
do pseudogene RHD (RHDy ) e do gene híbrido
RHD-CE-DS em pacientes falciformes, foi estudada
em amostras de DNA de 91 pacientes fenotipados como
R0 r e rr através de duas técnicas
de PCR multiplex. Nossos resultados demonstraram
que dezoito (19,8%) pacientes apresentaram o pseudogene
RHD (REIDy ) e dois (2%), o gene híbrido
RHD-CE-DS. Estes resultados em conjunto com publicações
anteriores que mostram que o pseudogene RHD apresenta
alta frequência em populações
de origem africana sugerem que a determinação
do genótipo RHD deve incluir ampla análise
do gene RHD. A frequência dos antígenos
D parciais categorias DIIIa, DVa e DAR em pacientes
falciformes RhD-positivo foram estudadas em amostras
de DNA de 130 pacientes pelas técnicas de
PCR-RFLP e de sequenciamento. 25 (19,2%) dos pacientes
estudados apresentaram as variantes DIIIa, DVa e
DAR. Em quatro (3,1%)destes pacientes foi identificada
a variante DVa e em 21 (16,1%) as variantes DIIIa
e DAR. A alta frequência destas variantes
em pacientes falciformes, principalmente de DIIIa
e DAR sugere um aumento no risco de aloimunização
ao antígeno RhD, uma vez que estes indivíduos
são classificados na rotina como RhD-positivos.
A ocorrência das variantes do antígeno
Rhe em pacientes falciformes com o alelo RHce associadas
às mutações 48C (Cys16) e 733G
(VS) foi investigada em 58 amostras de DNA de pacientes
portadores de anemia falciforme previamente fenotipados
para os antígenos RhD, C/c, E/e e VS pelas
técnicas de PCR alelo específico e
PCR-RFLP. Dos 58 pacientes estudados, 56 apresentaram
a mutação 48C (Cys16) e 50 a mutação
733G (antígeno VS). A ocorrência simultânea
destas mutações foi observada em 50
pacientes. Estas mutações encontravam-se
em heterozigose, sugerindo que estes pacientes apresentavam
a mutação 48C em um alelo e a mutação
733G em outro alelo. A ocorrência simultânea
destas mutações levou a uma fraca
expressão do antígeno Rhe nas hemácias
destes pacientes demonstrada pelo resultado negativo
da fenotipagem Rhe com a utilização
de três anti-soros monoclonais anti-e. Diante
destes resultados recomenda-se que a rotina de fenotipagem
Rh de pacientes falciformes seja realizada com a
utilização de pelo menos dois anti-soros
monoclonais ou com um anti-soro policlonal e outro
monoclonal, melhorando desta forma o atendimento
à necessidade de transfusão pelo aumento
da disponibilidade de sangue. Em conclusão,
a caracterização molecular das variantes
Rh deve ser recomendada em pacientes falciformes
dependentes de transfusão, pois permite a
seleção correta do sangue a ser transfundido.
Auxilia ainda, na prevenção da aloimunização,
podendo diminuir os efeitos de potenciais reações
hemolíticas.
Teste de amplificação e detecção
de ácido nucléico para o vírus
da Imunodeficiência Humana (HIV) em doadores
de sangue
Autor: Vânia Maria de Oliveira Nascimento
Resumo: No Brasil para garantir
a confiabilidade da transfusão são
utilizados ensaios sorológicos para a triagem
de doadores de sangue de alta sensibilidade e alta
especificidade. Para triagem do HIV são utilizados
dois testes. Um dos testes deve ser imunoenzimático.
O segundo teste poderá ser outra técnica
com princípio metodológico ou antigênico
distinto do primeiro teste. Há ainda riscos
transfusionais como na janela imunológica
(22 dias), os variantes virais (são conhecidos
nove subtipos do HIV-1 – de A a I –
e o grupo O), nas soroconversões atípicas
(imunosilenciosos) e nos erros laboratoriais. A
fase de janela imunológica ou o período
prévio a soroconversão é o
principal risco transfusional. A janela imunológica
é responsável por aproximadamente
90% do risco de transmissão do HIV por transfusão
de sangue. A disponibilidade no mercado mundial
de novas tecnologias para os testes de amplificação
e de detecção de ácidos nucléicos
(NAT) para o vírus da Imunodeficiência
Humana (HIV) e a introdução do mesmo
na triagem laboratorial dos doadores de sangue diminui
o período de janela imunológica para
11 dias. Nos últimos anos, diversos países
da Europa, além dos estados Unidos, Austrália
e Japão, introduziram a triagem pelo NAT
nos bancos de sangue. A finalidade deste ensaio
é possibilitar a realização
da triagem de bolsas de sangue a partir de amostras
de doadores e determinar a presença do HIV-1
em situações onde tal agente não
é detectado pelos testes de triagem sorológica,
diminuindo o risco residual de transmissão
deste vírus pela transfusão sangüínea.
Dois sistemas são utilizados para a triagem
de doadores de sangue: o Roche Molecular System
– Cobas AmpliScreen PCR e o Gen-Probe Incorporated
– TMA do HIV-1/HCV Amplified Assay-CHIRON.
As técnicas utilizadas para amplificação
de ácidos nucléicos para testar amostras
individuais são de um preço alto e,
portanto torna-se necessário à realização
de amplificações em pool compostos
de pequenas alíquotas de amostras individuais.
Para a implantação do Teste de Amplificação
e de Detecção de Ácido Nucléico
para o vírus da Imunodeficiência Humana
(HIV) em doadores de sangue, nos serviços
de Hemoterapia do Brasil há a necessidade
de áreas específicas para a realização
do teste, um sistema informatizado com capacidade
de interfaciamento: de identificação
de amostras, entre os equipamentos que realizam
os testes e a transcrição de resultados
dos exames. A introdução do Teste
de Ácido Nucléico (NAT) prevista para
2004 nos Serviços de Hemoterapia reduzirá
para 11 dias a janela imunológica do HIV,
haverá uma redução de 50% nos
riscos de transmissão por transfusão
de sangue. Todas as dificuldades e investimentos
serão compensados pela garantia de um produto
com qualidade e uma segurança ao paciente
que necessita de receber hemocomponentes e hemoderivados
sangüíneos.