Doenças Falciformes
Autor: Adriana Lazzarini Mestre
Resumo: A anemia falciforme é
uma doença genética causada pela substituição
de adenina por timina (GAG, GTG), codificando valina
ao invés de ácido glutâmico
na posição 6 da cadeia da beta-globina,
com produção de hemoglobina S (Hb
S). Ela é a doença hereditária
monogênica mais comum no Brasil. Em geral,
os pais são portadores assintomáticos
de um único gene afetado (heterozigoto),
produzindo Hb A e Hb S (AS), transmitindo cada um
deles o gene alterado para a criança, que
assim recebe o gene anormal em dose dupla (homozigoto
SS). A denominação "anemia falciforme"
é reservada apenas para a forma da doença
que ocorre nesses homozigotos (SS). Além
disso, o gene da Hb S pode combinar-se com outras
anormalidades hereditárias das hemoglobinas,
como Hb C, Hb D, beta talassemia, entre outros,
gerando combinações que também
são sintomáticas, respectivamente
chamadas de hemoglobinopatia SC, hemoglobinopatia
SD e S/beta talassemia. Todas essas formas sintomáticas
do gene da Hb S, em homozigose ou em combinação,
são conhecidas como doenças falciformes.
Neste trabalho, além das considerações
gerais da doença e sua etiologia, expus as
manifestações clínicas da doença,
os tratamentos disponíveis e os que ainda
estão sendo pesquisados.
Mieloma Múltiplo
Autor: Adriana Luiza Vaqueiro
Resumo: Mieloma múltiplo
é uma neoplasia disseminada de plasmócitos
na medula óssea que pode ocorrer em nódulos
ou difusamente. Estas células plasmáticas
secretam imunoglobulinas monoclonais, produzindo
anticorpos defeituosos sem nenhuma atividade, ocupando
espaço na medula óssea dos glóbulos
brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.
É raríssimo antes dos 40 anos de idade,
e a incidência é igual em homens e
mulheres. O diagnóstico laboratorial requer
uma série de exames, como a Eletroforese
de Proteínas, Bence Jones, Hemograma e VHS.
Outros exames como a Biópsia de Punção
de Medula Óssea e Radiografias do esqueleto
também devem ser realizados. O tratamento
com quimioterapia é a terapêutica mais
bem empregada para que a doença atinja uma
fase estável, se não tiver progressão,
emprega-se o uso de radioterapia ou até mesmo
o transplante. Atualmente estão testando
uma vacina terapêutica baseada em células
dendríticas, que pode causar a regressão
do tumor ou sua estabilização.
Talassemias
Autor: Alessandra Janetti Oliveira Valentin
Resumo: A denominação
talassemia abrange um grupo heterogêneo de
distúrbios hereditários que geralmente
levam ao desenvolvimento de uma anemia microcítica
hipocrômica. As formas de talassemia têm
em comum uma redução da velocidade
da síntese de uma ou mais das cadeias de
polipeptídeos da hemoglobina, e são
mais bem classificadas segundo a cadeia polipeptídica
atingida. Assim, existem as talassemias a , b ,
d e d b . Ainda que a hipocromia dos eritrócitos
seja manifestação comum da talassemia,
ela não existe em todos os tipos. Por exemplo,
a d - talassemia afeta uma fração
pequena da síntese de hemoglobina, de modo
que não há hipocromia, o que também
ocorre em heterozigotos de persistência hereditária
de hemoglobina fetal, distúrbio em que há
redução ou ausência de síntese
de cadeias b e d , e pode não se manifestar
em alguns portadores do traço de a ou b -
talassemia. A descoberta da hemoglobina Lepore e
de a - talassemia, com sua produção
de hemoglobina Bart (g 4) e hemoglobina H (b 4),
demonstrou que pode haver uma hemoglobina anormal
em algumas formas de talassemia. As hemoglobinopatias
que resultam de uma única substituição
de aminoácidos não são consideradas
talassemias, embora possam estar acompanhadas de
redução da velocidade de síntese
da globina. Os elementos clínicos e laboratoriais
das formas principais de talassemia estão
agora bem definidos. Geralmente, os indivíduos
que têm um gene de talassemia e um gene normal
(heterozigotos) são atingidos de modo relativamente
ligeiro, e, diz-se que eles têm o traço
talassêmico ou talassemia menor. Em contraste,
os que herdam dois genes talassêmicos similares
ou idênticos, sofrem de grave falha na síntese
de hemoglobina e diz-se que têm a talassemia
maior. Existem, é claro, exceções,
e a caracterização mais exata dos
graus variáveis de gravidade dos estados
heterozigóticos, bem como a interpretação
da base genética desses distúrbios,
é um assunto ainda em estado de mudança.
Muitos tipos diferentes de traço talassêmico
podem ser subdivididos com base no grau de diminuição
da velocidade de síntese de cadeia polipeptídica
afetada. Formas silenciosas, ligeiras e graves desses
genes podem ser distinguidas com base nesse critério.
A forma silenciosa não produz modificações
eritrocitárias nem alterações
na concentração de hemoglobina A2
ou F. É primariamente verificada quando se
combina com outro gene de talassemia. As formas
ligeira e grave produzem hipocromia da célula
vermelha e diferentes graus de alterações
nas taxas de hemoglobina específicas.
Anemia Ferropriva
Autor: Ana Paula Felix Arantes
Resumo: A anemia por deficiência
de ferro, também chamada ferropriva, é
uma das afecções mais comuns que atingem
a espécie humana. Ela classifica-se como
uma anemia do tipo microcítica e hipocrômica,
pois ocorre a diminuição do elemento
ferro, responsável pela capacidade de transporte
de oxigênio no sangue e essencial para a eritropoiese.
Sua incidência precisa é de difícil
avaliação, mas sua distribuição
geográfica é determinada por deficiências
diuréticas e, por parasitismo intestinal,
sobretudo nos países mais pobres. Ela afeta
mais as mulheres, devido à menstruação
e gravidez, os adolescentes pelo crescimento, e,
também, as crianças. A anemia ferropriva
pode ser causada por vários fatores, tais
como: carência dietética, absorção
prejudicada, perda sangüínea, gravidez
e lactação. Por outro lado, pode ocasionar
nos indivíduos afetados: prejuízo
ao crescimento, fadiga, astenia, dores, anormalidades
ou deficiência de função do
tecido epitelial, propensão à infecções,
desejo de comer alimentos estranhos, esplenomegalia,
entre outros. Os maiores achados laboratoriais que
constam desta patologia consistem na hipocromia,
microcitose, redução dos níveis
da hemoglobina para até 8g/dl, diminuição
do ferro sérico e aumento da capacidade de
ligação do ferro. O tratamento é
feito pela administração do ferro
necessário para corrigir a hemoglobina aos
seus níveis normais e restaurar os depósitos
de ferro, mas o melhor, é se fazer uso das
medidas profiláticas para esta doença,
as quais podem evitar o seu desenvolvimento.
Síndromes mieloproliferativas crônicas
Autor: Andréia Cristina Rosante
Resumo: As síndromes mieloproliferativas
crônicas são doenças proliferativas
clonais que afetam linhagens de células granulocíticas,
monocíticas, eritróides e megacariocíticas.
Referem-se a certas doenças em que a medula
óssea prolifera mais ou menos em massa. Tal
proliferação é auto perpetuante,
lembrando assim uma doença neoplásica
e resultando em características clínicas,
hematológicas, bioquímicas e morfológicas
comuns. Tais doenças, Leucemia Mielóide
Crônica, Mielofibrose Idiopática, Policitemia
Vera e Trombocitemia Essencial, foram o tema da
minha monografia devido a freqüência
e a importância das mesmas no dia a dia de
profissionais como bioquímicos, biomédicos,
hematologistas, entre outros profissionais. O melhor
desta experiência é saber que nos últimos
anos vem ampliando de modo significativo a esperança
de vida dos pacientes portadores dessas doenças
devido não só à tecnologia,
mas à pessoas como nós, que proporcionam
um melhor protocolo de tratamento, a partir de um
melhor diagnóstico, e isto acontece através
de eventos como especializações.
Anemia por agressão oxidativa
Autor: Carmen Seiko S. Matushita
Resumo: Certas drogas como a Fenacetina;
sulfas e derivados; nitratos e nitritos; derivados
de benzeno; óxidos de nitrogênio e
enxofre; dentre outras, provocam desnaturação
oxidativa da hemoglobina nos eritrócitos
normais, levando a formação de metaemoglobina
e corpúsculos de Heinz causando graves anemias.
Oxi-hemoglobina é a molécula de hemoglobina
com o ferro no estado ferroso, capaz de ligar-se
reversivelmente com o oxigênio e conduzi-lo
dos pulmões aos tecidos. Metaemoglobina é
um derivado da molécula de hemoglobina com
o ferro no estado férrico, que reage com
o oxigênio irreversivelmente, formando radicais
livres representados pelo íon superóxido
(O2· ), peróxido de hidrogênio
(H2O2) e íon hidroxila (OH· ), entre
outros. Esses radicais livres lesam a molécula
de hemoglobina e produzem danos efetivos nas estruturas
biológicas dos Ácidos Nucléicos
(DNA e RNA), proteínas e lipídeos,
causando mutagênese e câncer. As principais
consequências de alteração de
membrana provocada pelos radicais livres são:
alteração da permeabilidade; alteração
do transporte de substâncias orgânicas
e inorgânicas; alterações da
bomba de Na+, K+, Ca++ e ATPase; danos ao DNA; morte
celular precoce. A desoxigenação da
hemoglobina causa cianose e sintomas de hipóxia
nos pacientes. Indivíduos com deficiência
de Glicose-6-fosfato desidrogenase (G-6PD) ou outros
componentes do processo de desintoxicação
dependente da glutationa redutase (GSSG), superóxido
dismutase (SOD) e catalase são sensíveis
aos efeitos hemolíticos dos oxidantes. No
sistema retículo endotelial do baço,
os macrófagos removem os corpúsculos
de Heinz por fagocitose, originando as células
"mordidas", com conseqüente hemólise
e anemia. Metaemoglobinemia ou "Síndrome
do Sangue Achocolatado", ocorre quando a concentração
de metaemoglobina exceder a 5% do total de hemoglobina.
O sangue tem uma tonalidade marrom-escuro como chocolate.
Caso de interesse: A química do sangue
pela ótica da coagulação sangüínea
Autor: Celso Cavalheiro D'Alvio
Resumo: A análise da coagulação
do sangue inclui a história clínica
do paciente, buscando episódios de hemorragias
espontâneas ou produzidas por pequenos traumas.
Alguns testes de laboratório são comumente
usados para avaliar a hemostasia e a coagulação,
nos pacientes candidatos à procedimentos
cirúrgicos. Os testes mais usados são:
o tempo de coagulação, tempo de sangramento,
contagem de plaquetas, tempo (atividade) de protrombina
e tempo parcial de tromboplastina. O conjunto de
testes acima listados, constitui um bom rastreamento
de deficiências qualitativas da hemostasia
e da coagulação. Valores anormais
de qualquer dos testes, indicam a necessidade de
estudos mais detalhados da coagulação
e avaliação por especialistas. Conforme
a natureza do estímulo desencadeador, os
mecanismos da coagulação do sangue,
podem ocorrer seguindo duas vias distintas, conhecidas
como via intrínseca e via extrínseca.
As duas vias podem ser ativadas simultânea
ou separadamente. A via mais comum, é a via
extrínseca, que ocorre pela lesão
de vasos sangüíneos ou à partir
de estímulos tissulares. Na via extrínseca,
uma substância dos tecidos, a tromboplastina,
é liberada no local da injúria do
endotélio vascular e desencadeia as reações
da coagulação. A tromboplastina tecidual
ou fator III, se combina com o fator VII (acelerador
da conversão da protrombina do soro), na
presença do fator IV (cálcio), para
ativar o fator X (Stuart-Prower). A via instrínseca
envolve a ativação de um fator existente
no sangue, o fator Hageman (fator XII), também
conhecido como fator de ativação pelo
contato. Este fator se ativa ao contato com qualquer
superfície que não seja o endotélio
vascular e, em seguida ativa o fator XI. Ambos os
fatores forçam a ativação do
fator IX que, por uma vez ativado, converte o fator
III (fator anti-hemolítico) à sua
forma ativa, que forma um complexo com o cálcio
e um fosfolipídeo (fator plaquetário
III). Este complexo do fator VIII, cálcio
e o fosfolipídeo, ativa o fator X. As vias
extrínseca e intrínseca de ativação
da coagulação iniciam-se à
partir de estímulos diferentes, mas convergem
na ativação do fator X. O resultado
da ativação da via extrínseca
ou da via intrínseca é o mesmo, a
presença do fator X ativado. A via extrínseca
é mais veloz que a intrínseca. À
partir da ativação do fator X, ambas
as vias, extrínseca e intrínseca,
seguem a mesma via comum de estimulação,
até a formação do coágulo
final. O fator X ativado, juntamente com o fator
V (pró-acelerina), o fator IV (Cálcio)
e o fosfolipídeo convertem o fator II (protrombina)
em trombina. A trombina estimula uma série
de reações, como a agregação
plaquetária, a liberação de
serotonina, ADP e fator plaquetário IV. Contudo,
a ação mais importante da trombina
ocorre sobre o fator I (fibrinogênio). A trombina
fragmenta o fibrinogênio em um monômero
da fibrina e dois outros peptídeos, os fibrinopeptídeos
A e B. Os monômeros da fibrina se unem para
formar os filamentos de fibrina, através
de um processo de polimerização. Os
filamentos de fibrina aderem entre si, estimulados
pelo fator XIII (fator estabilizador da fibrina),
que exige a presença da trombina e do cálcio.
A malha de fibrina resultante engloba plaquetas,
hemácias e plasma, formando o coágulo
definitivo. As plaquetas retidas no interior dos
coágulos liberam certas substâncias
pró-coagulantes. À medida que o coágulo
se retrai, as bordas dos vasos sanguíneos
rompidos aproximam-se, para o final da hemostasia.
Plaquetas
Autor: Cristina Rosa
Resumo: As plaquetas se apresentam
como pequenos discos, que como as demais células
sanguíneas (leucócitos e hemácias),
provém de uma mesma célula reticular
primitiva, que dará origem ao megacariócito.
Tendo como principal função, a detecção
e recuperação da perda de sangue da
corrente circulatória. As plaquetas tem a
estrutura interna relativamente complexa, cuja função
é primordial nos processos de hemostasia
e coagulação do sangue. Existem no
sangue circulante, em condições normais,
entre 150.000 e 350.000 plaquetas por mililitro
(em média 250.000/ml). Quando o número
de plaquetas do sangue circulante é superior
a 350.000/ml dizemos que há trombocitose.
Quando o número de plaquetas do sangue circulante
é inferior a 150.000/ml dizemos que há
trombocitopenia. Para que ocorram eficiente hemostasia
e coagulação, é necessário
que existam em circulação, pelo menos,
50.000 plaquetas/ml de sangue. Os distúrbios
de sangramento podem ser causados por anormalidades
nos vasos sangüíneos, de defeitos qualitativos
ou quantitativos das plaquetas, além de poderem
estar associados também a deficiências
nos fatores de coagulação sangüínea.
Reticulócito: Múltiplos enfoques
para um clássico parâmetro
Autor: Daniela Ferrari Micheletti
Resumo: Os reticulócitos
são células de origem eritróide
com resíduos de RNA, sendo esses evidenciados
com a utilização de colorações
supravitais. Os reticulócitos aparecem como
um corpúsculo maior que o eritrócito,
medindo cerca de nove m m de diâmetro, também
difere do eritrócito por conter vestígios
de RNA, mostrando uma basofilia homogênea,
superposta à intensa acidofilia da hemoglobina.
O número de reticulócitos no sangue
periférico reflete a atividade eritropoiética
da medula óssea. Com a contagem de reticulócitos
pode-se diferenciar uma anemia com hipoprodução
de células vermelhas. Os resultados da contagem
manual de reticulócitos são expressos
simplesmente como uma percentagem. Isto pode dar
uma falsa impressão sobre o número
de novos reticulócitos. Portanto, quando
o laboratório fornece a contagem de reticulócitos
em valor não corrigido, deve converter o
resultado para o valor absoluto ou para uma contagem
corrigida de reticulócitos. A contagem automática
usa uma reação citoquímica
para a diferenciação e contagem de
reticulócitos. O grande número de
células contadas aumenta a precisão
e exatidão na rotina. Também, os novos
índices reticulocitários podem detectar
alterações da atividade eritropoiética
na fase inicial.
Anemia Megaloblástica
Autor: Déborah Simões Pereira
Resumo: A anemia megaloblástica
é causada mais comumente por deficiência
de cobalamina e folato. A vitamina B12 e o ácido
fólico intervém no metabolismo de
quase todas as células do organismo. Sua
ação é importante na síntese
do DNA e das proteínas e sua carência
afeta, portanto, todas as células do organismo.
Destas, as que têm proliferação
com mitoses freqüentes e portanto maior síntese
de proteínas e de DNA, são as que
mais sofrem as consequências da carência
de folatos e da vitamina B12. É o caso do
retículo hemopoiético. Assim, é
que a carência da vitamina B12 e de folatos
ocasiona alterações dos elementos
figurados do sangue. Essa carência provoca
também sintomas digestivos como diarréia
e anorexia, sintomas oculares como diminuição
da acuidade visual, alterações no
sistema nervoso como degeneração da
bainha de mielina dos nervos na deficiência
de B12, alterações da pele e de seus
fâneros, atrofia das papilas linguais e sem
esquecer dos sintomas gerais da anemia.
Hemofilia
Autor: Denise Rodrigues Barbosa
Resumo: O que saber sobre hemofilia:
1) Identifique os sinais da doença –
normalmente o sangramento de um corte superficial
na pele é logo estancado pela coagulação.
Num hemofílico, o mesmo corte provoca uma
hemorragia desproporcional ao ferimento que, se
não for convenientemente tratado, pode sangrar
por horas e até dias seguidos. Em geral,
os primeiros sinais se apresentam ainda na infância.
O menino, por exemplo, morde acidentalmente o lábio
e o sangramento demora várias horas para
estancar.; 2) A primeira pequena hemorragia de um
hemofílico pode ser estancada com a aplicação
de compressas frias no local. Mas, se o sangramento
parece anormal, o doente deve ir imediatamente a
um médico, principalmente se houver antecedentes
familiares de hemofilia; 3) Evite praticar esportes
violentos. Natações e ginásticas
que não impliquem riscos de ferimentos são
os esportes mais aconselháveis; 4) Sempre
que houver necessidade de qualquer intervenção
cirúrgica, informe ao médico sobre
a doença; 5) Mulheres portadoras, ao engravidarem,
podem realizar um diagnóstico pré-natal.
O exame deve ser feito em serviços especializados,
onde é coletada uma amostra do tecido fetal.
Com a informação sobre o sexo da criança,
é dosado o fator de coagulação;
6) Tipos: A hemofilia A é a mais freqüente,
caracteriza-se pela deficiência do fator VIII
de coagulação. Representa 85% dos
casos. A hemofilia B, conhecida também como
Fator Christmas, deve-se à deficiência
do fator IX. Os dados clínicos e de laboratórios
são similares aos da hemofilia do tipo A.
Atenção: O fator VIII é localizado
no cromossomo X, que é o cromossomo sexual
feminino. Como os homens possuem os cromossomos
XY, se o X for portador da anomalia, ele será,
mesmo que ela herde um cromossomo doente, terá
outro normal e não chegará a se desenvolver
a doença.
Doença Hemolítica do recém-nascido
Autor: Eudes Pina Forzani
Resumo: Este trabalho tem como
objetivo relatar, em todos aspectos contidos nas
fontes bibliográficas atuais, a doença
hemolítica do recém-nascido (DHRN),
também conhecida como eritroblastose fetal.
Esta doença é considerada uma anemia
hemolítica em conseqüência da
perturbação do processo imune ocasionada
por incompatibilidade dos grupos sangüíneos
da mãe e do feto. A DHRN pode ser causada
por antígenos C, D ou E e ainda por outros
antígenos eritrocitários, porém,
o anti-Rh (D) se constitui em sua causa mais comum
por ser mais imunogênico em relação
aos outros antígenos. A DHRN causa, principalmente,
anemia e hidropsia, icterícia, kernicterus,
hepatoesplenomegalia, púrpura, entre outras
complicações. Seu diagnóstico
laboratorial baseia-se na demonstração
da incompatibilidade nos grupos sangüíneos
da mãe e o feto, e uma das principais alterações
está na Prova de Coombs indireta, que se
encontra positiva no recém-nascido afetado.
Apesar de grave, a DHRN possui medidas de tratamento
que podem levar à sua cura, através,
principalmente da exsanguíneo transfusão
e da fototerapia, que são as formas mais
eficientes do tratamento após o nascimento.
Além do tratamento, existem medidas que previnam
a instalação da doença, ou
seja, que impedem a sensibilização
materna aos antígenos Rh fetais.
Controle de qualidade no hemograma
Autor: Ezildinha Maria Teixeira de Sabóia
Resumo: É importante desenvolver
atividades para promover educação
continuada e treinamento de todos os envolvidos
nos procedimentos de medição. A educação
continuada deve ter como meta o desenvolvimento
de atitudes voltadas para a gestão de qualidade,
que assegurem uma organização geral
do laboratório e o desenvolvimento de procedimentos
operacionais padrão para garantir que as
atividades sejam executadas sempre da mesma forma.
O treinamento deve ser voltado para habilitar as
pessoas nos processos a fim de que executem todos
os procedimentos com a melhor e mais eficiente técnica
disponível.
Transplante de Medula Óssea e os
caminhos da genética em casos de Anemia de
Fanconi e Leucemia Mielóide Aguda em adultos
Autor: Fausto Slugek
Resumo: O transplante de medula
óssea, e no futuro, a terapia gênica
são a esperança de cura e uma vida
melhor para milhares de pessoas portadoras de doenças
no sangue e outras doenças também.
O transplante de medula óssea é uma
modalidade terapêutica que visa o tratamento
da doença com uso de altas doses de quimioterapia
associada ou não à radioterapia corporal
total. Ele consiste na substituição
de uma medula doente ou deficiente por uma saudável.
Tem indicação nas doenças em
que existe uma falência do sistema hematopoiético,
seja por infiltração de células
leucêmicas na medula óssea, seja por
doenças que alterem a produção
dos constituintes sangüíneos. Também
apresentam indicações nas doenças
que comprometem severamente o sistema imunológico
e nos tumores sólidos em que a dose de quimioterapia
necessária para o tratamento possa comprometer
o sistema hematopoiético de maneira irreversível.
Exemplos de indicações: leucemias,
linfomas, anemia aplástica, anemia de Fanconi,
imunodeficiências congênitas, anemias
hemolíticas hereditárias, tumores
sólidos e outras doenças metabólicas.
Infelizmente nem todas as pessoas podem se beneficiar
do transplante, porque depende muito das condições
de saúde do paciente. Cabe ao clínico
analisar o tipo de transplante, idade e sexo do
paciente e do doador, histórico clínico
de ambos, os benefícios do transplante para
cada caso e fazer a indicação ou não.
Clinicamente a anemia de Fanconi é uma doença
genética de herança autossômica
recessiva com evolução invariavelmente
fatal, que inicia suas manifestações
clínicas geralmente na infância. Caracteriza-se
por uma insuficiência da medula óssea
e malformações congênitas. As
mais comuns são pigmentação
anormal da pele, malformações cardíacas,
malformações renais, defeitos esqueléticos,
nanismo e outras. O transplante de medula óssea
(alogênico) é o tratamento eficaz para
restaurar a hematopoiese devido à alta sensibilidade
das células da anemia de Fanconi aos agentes
alquilantes, já que o tratamento suporte
transfusional e hormonal é paliativo e o
uso de drogas alquilantes em doses habituais provoca
toxicidade em níveis inaceitáveis.
A leucemia mielóide aguda caracteriza-se
pelo crescimento descontrolado e exagerado de células
indiferenciadas da linhagem branca chamadas de "blastos".
Estas células não apresentam as funções
normais dos leucócitos. Além disso,
ainda existe um bloqueio na produção
das células normais havendo uma deficiência
de eritrócitos, plaquetas e leucócitos.
Na maioria dos casos desta doença, não
existe causa evidente. No entanto, em alguns pacientes
consegue-se relaciona-la à exposição
à substâncias químicas ex: benzeno,
à irradiações ionizantes, à
quimioterapia usada no tratamento de outras doenças
como câncer de ovário, câncer
de mama e linfomas. Doenças raras como anemia
de Fanconi e Síndrome de Down podem estar
associadas ao aparecimento de leucemia mielóide
aguda. O transplante de medula óssea é
o tratamento eficaz e visa a erradicação
do clone leucêmico e o restabelecimento da
hematopoiese normal. É utilizado após
a remissão completa da doença a fim
de se evitar a recidiva da mesma diminuindo a quantidade
de células leucêmicas não detectadas
clinicamente. Até o presente momento, estudos
prospectivos e randomizados não nos dão
uma resposta clara quanto a escolha de qual tipo
de transplante (alogênico ou autoplástico)
deve ser usado. Os pacientes com anomalias citogenéticas
favoráveis [t(8;20), inv (16), del (16),
t(16;16), t(15;17)] não teriam indicação
de transplante autólogo ou alogênico,
já que com a quimioterapia pós remissão
em altas doses a sobrevida em longo prazo é
boa. Por outro lado, os pacientes refratários,
ou seja, os que não respondem à quimioterapia
de indução e remissão completa,
tem uma excelente alternativa terapêutica
no transplante de medula óssea alogênico.
A modalidade terapêutica para o transplante
autoplástico não precisa de doador
HLA compatível aparentado e pode ser utilizado
em maior número de pacientes e tem a vantagem
de permitir o uso de altas doses de quimioterapia
sem a morbidade e mortalidade associadas ao transplante
alogênico, porém deixa de existir o
efeito benéfico do enxerto contra a célula
leucêmica. Com o advento da modernidade novas
ações terapêuticas serão
exploradas como imunoterapia, especialmente a utilização
de interleucina-2 (IL-2), o uso de vacina e anticorpos
monoclonais como o anti-CD33 conjugado ou não
a toxinas, radioisótopos ou quimioterápicos,
de substâncias que modulem a expressão
do gene de múltipla resistência a drogas
(MDR), de substâncias inibidoras, a "terapia
gênica".
Diagnóstico da doença residual
mínima nas leucemias
Autor: Fernanda de Toledo Adachi
Resumo: As estratégias
terapêuticas disponíveis para o tratamento
de doentes com hemopatias malignas permitem alcançar
uma elevada taxa de remissões completas.
No entanto, muitos desses doentes eventualmente
recidivarão, devido à persistência
de pequenas quantidades de células malignas
residuais que são indetectáveis pelas
técnicas citomorfológicas convencionais.
À massa de células malignas presentes
abaixo deste limiar, denomina-se Doença Residual
Mínima (DRM). Nesse sentido, é necessária
a utilização de técnicas mais
sensíveis, capazes de permitir a detecção
de células malignas presentes em baixas frequências
em meio a uma maioria de células normais.
E é justamente sobre estas técnicas
o conteúdo desta monografia. Antes, porém,
iremos esplanar o campo da hematologia falando sobre
as leucemias, para então, podermos entrar
com maior clareza, no Diagnóstico da Doença
Residual Mínima.
Anemias hemolíticas e anemias carenciais
Autor: Heitor Nogueira de Almeida Neto
Resumo: As anomalias genéticas
das proteínas eritrocitárias resultam
em várias doenças de importância
clínica. Podemos agrupar estas doenças
em quatro grandes grupos: anomalias que afetam as
enzimas eritrocitárias; anomalias que afetam
as proteínas da membrana eritrocitária;
anomalias que afetam a estrutura, função
ou estabilidade da hemoglobina; anomalias que afetam
a produção dos eritrócitos
(vitamina B12, ácido fólico e ferro).
As consequências clínicas das anomalias
da estrutura, função e do metabolismo
das hemácias são inúmeras.
Estas incluem a anemia, a policitemia, a hemólise
e a cianose. As causas destes sintomas e os dados
laboratoriais necessários ao diagnóstico
destas condições constituem o assunto
deste texto.
Detecção de Hb S em população
pediátrica, gestantes e clínicas especializadas
no Instituto Fernandes Figueira – FIOCRUZ
Autor: Jânio Alves Cordeiro
Resumo: A hemoglobina "S",
responsável pela anemia falciforme na forma
homozigótica, é assim denominada por
conferir as hemácias desoxigenadas a morfologia
de uma foice. Responsável por um amplo espectro
de distúrbios que variam de anemia discreta,
até quadros onde há uma alta morbidade
e mortalidade. Algumas das síndromes falciformes
não apresentam um potencial patológico
significativo (traço falcêmico) e o
diagnóstico preciso é condição
básica para manuseio clínico apropriado
e para a discussão genética significativa.
O objetivo deste estudo é determinar através
de teste rápido e posterior comparação
com a eletroforese de hemoglobina a presença
de hemoglobina S em: gestantes, população
pediátrica e nas diversas clínicas
especializadas. A média encontrada nas populações
estudadas foi de 5,54%. Observou-se que de forma
relativa a população pediátrica
teve mais que o dobro de positividade quando comparado
com as gestantes. Nas amostras oriundas de outras
clínicas o índice obtido foi de 6,12%.
Anemia Falciforme
Autor: Karen Isabella Gomes Fernandes da
Silva
Resumo: A anemia falciforme é
uma doença constitucional de evolução
crônica, de alto índice de mortalidade,
apresentando consideráveis variações
na severidade com que evolui nos diferentes grupos
étnicos, geográficos e mesmo individualmente.
Vários fatores intervêm na história
natural da doença, sendo de importância
e permanência de alto índice de Hb
F, assim como a associação com variantes
estruturais da cadeia alfa e com a depressão
de G6PD, que influenciam de maneira variável,
ficando esses enfermos expostos as crises e infecções.
O prognóstico continua pessimista, apesar
dos recursos terapêuticos suportivos de que
se dispõe. A morte súbita como já
foi referido, é mais freqüentemente
na primeira infância, como conseqüência
de crises aplásticas ou de hipersequestração,
cabendo as infecções pulmonares e
septicemias a mortalidade das demais faixa etária.
Incidência de G-6-PD em recém-nascidos
da cidade de Uberaba
Autor: Lizia Maria Franco dos Reis e Campos
Resumo: A Glicose-6-fosfato desidrogenase
(G6PD) é uma enzima citoplasmática
presente em todas as células, cuja principal
função nas hemácias é
proteger contra os radicais livres de oxigênio,
através da produção de NADPH,
na via de Shunt das Pentoses. A deficiência
de G6PD é a enzimopatia mais comum em humanos,
afetando cerca de 2 a 3% da população
mundial. A necessidade de realizar a triagem neonatal
em G6PD tem sido discutida no Brasil devido a essa
freqüência. Os sintomas clínicos
estão associados à anemia hemolítica
e icterícia neonatal induzida por agentes
oxidantes, como inúmeras drogas, feijão
de fava e algumas infecções que podem
levar a danos neurológicos e até ao
óbito. Utilizamos o Ensaio-Intercientífica,
que utiliza a G6PD, na presença do NAD, catalisa
a oxidação da G6P para 6-fosfogluconato.
O NADPH produzido é medido colorimetricamente
em modo cinético em 340nm, corrigindo a atividade
enzimática de acordo com concentração
da Hb em modo cinético em 405nm. Como controle,
foram utilizadas hemácias liofilizadas cedidas
pela Intercientífica. O "Cut-off"
foi calculado pelo fabricante. As amostras foram
coletadas do cordão umbilical, com EDTA.
Foram analisados 505 de recém-nascidos sendo
316 do sexo feminino (62,17%) e 189 do sexo masculino
(37,43%). Das 505 amostras, 406 apresentam atividade
da G6PD acima de 17,1U/gHb (91,5%), compatível
com atividade enzimática normal; 33 (sexo
feminino) com atividade entre 5,7 d 17,1 U/gHb (6,5%),
compatível com a deficiência parcial
e 10 (sexo masculino) com atividade enzimática
menor que 5,7 U/gHb (1,9%), compatível com
a deficiência total. Assim, a incidência
da deficiência, nestas amostras da cidade
de Uberaba, foi de 8,4% das duas formas de deficiência
combinadas.
Prevalência de hemoglobinopatias em
laboratório de demanda na cidade de Patrocínio
- MG
Autor: Lucas Campos de Siqueira
Resumo: As hemoglobinopatias são
um conjunto de alterações qualitativas
e/ou quantitativas das hemoglobinas que podem não
causar ou causar graus variados de anemia e que,
freqüentemente, não são diagnosticadas
em investigações de rotina para estas
patologias, principalmente fora dos maiores centros
de medicina ou instituições de ensino.
Pela sua freqüência na população
em geral e sua relativa simplicidade diagnóstica
torna-se imperativo colocar a investigação
de hemoglobinopatias em qualquer protocolo para
investigação de anemia ou mesmo de
distúrbios hemolíticos. Este trabalho
tem como objetivo fazer um levantamento estatístico,
em laboratório de demanda, das hemoglobinas
presentes na população em geral, na
faixa etária de 05 a 45 anos de idade, em
amostras colhidas aleatoriamente de pacientes que
realizaram hemograma no I.P.H.S. - Instituto de
Patologia e Hematologia Siqueira, na cidade de Patrocínio
- MG. Optou-se por esta faixa etária por
ser de população economicamente ativa
e cujo diagnóstico de anemia, em muitos casos,
leva a perda de capacidade laboral e fora da faixa
de crianças que vêm sendo investigadas
para hemoglobinopatias através do teste do
pezinho que a partir do ano de 1998, tornou-se rotina
no estado de Minas Gerais. Ainda foram escolhidas
amostras aleatórias por nunca haver nenhum
tipo de levantamento desta natureza em nossa cidade
e micro-região, não havendo inclusive
este tipo de exame na rotina laboratorial da mesma.
Nas amostras foram realizados os testes de fragilidade
osmótica em NaCl a 0,36% e eletroforese de
hemoglobinas em acetato de celulose em pH alcalino.
Os casos onde foram necessários exames complementares
para confirmação diagnóstica
tiveram amostras enviadas ao C.D.A - Laboratório
de Referência para Hemoglobinopatias na cidade
de São José do Rio Preto - SP. Pretende-se
analisar o perfil de hemoglobinas normais e anormais
na população geral da cidade e micro-região
e compara-los aos demais dados estatísticos
disponíveis, contribuindo, assim, para uma
melhor compreensão da distribuição
das hemoglobinopatias em nosso meio e mostrar a
importância desta pesquisa em pacientes com
quadros de anemia.
Diagnósticos de hemoglobinopatias
no Laboratório Exame de Análises Clínicas
e Citodiagnósticos S/C Ltda., em Presidente
Prudente no período de 1998 à 2002
Autor: Luiz Ernesto Paschoalin
Resumo: Após realizar 665
eletroforeses de hemoglobinas e concomitantemente,
os hemogramas obtivemos os seguintes resultados:
567 casos de anemias carenciais; 70 casos de Beta
talassemia minor; 23 casos de Hb AS; 02 (dois) casos
de Hb AC; 02 (dois) casos de Beta talassemia minor
associado à Hb S e 01 (um) caso de Alfa talassemia.
Tendo portanto, quantidade maior de diagnósticos
de Beta talassemia minor (71,43% das hemoglobinopatias)
e também do traço falcêmico
(23,47%), tendo pouca incidência de outras
hemoglobinopatias. Dados estes que entram em desacordo
com outros trabalhos e literatura existente, obviamente
mais amplas, que abrangeram todo o país.
A população brasileira caracteriza-se
pela grande miscigenação de grupos
étnicos que colonizaram nosso país,
e região posteriormente, com seus descendentes.
É importante ressaltar que a grande maioria
dos pacientes envolvidos neste trabalho, são
oriundos de convênio, portanto, pacientes
de serviço ambulatorial, com assistência
médica e de classe social diferenciada.
Leucemia Mielóide Crônica
Autor: Maisa Esteves Silva Rodrigues Paiva
Resumo: A leucemia é uma
doença maligna dos glóbulos brancos
(leucócitos) de origem, na maioria das vezes,
não conhecida. Ela tem como principal característica
o acúmulo de células jovens (blásticas)
anormais na medula óssea que substituem as
células sanguíneas normais, ou seja,
essa produção descontrolada de leucócitos
é causada por mutação cancerosa
de células mielogênicas caracterizadas
em geral por números aumentados de leucócitos
anormais no sangue. A medula é o local de
formação das células sanguíneas,
ocupa a cavidade dos ossos (principalmente esterno
e bacia) e é conhecida popularmente por tutano.
Nela são encontradas as células mães
ou precursoras que originam os elementos figurados
do sangue: glóbulos brancos, vermelho (hemácias
ou eritrócitos) e plaquetas. A leucemia é
tradicionalmente dividida em dois tipos principais:
aguda e crônica. Fisiologicamente a distinção
baseia-se na capacidade de diferenciação
da célula maligna. O tipo de leucemia mais
freqüente na criança é a leucemia
linfóide aguda (ou linfoblástica).
A leucemia mielóide aguda é mais freqüente
no adulto. Esta última tem vários
subtipos: mieloblástica (menos e mais diferenciada),
promielocítica, mielomonocítica, monocítica,
eritrocítica e megacariocítica. Os
principais sintomas da leucemia decorrem do acúmulo
dessas células na medula óssea, prejudicando
ou impedindo a produção dos glóbulos
vermelhos (causando anemia), dos glóbulos
brancos (causando infecções) e das
plaquetas (causando hemorragias). Depois de instalada,
a doença progride rapidamente, exigindo com
isso que o tratamento seja iniciado logo após
o diagnóstico e a classificação
da leucemia. A leucemia aguda é uma doença
clonal, na qual a célula maligna é
capaz de proliferar, mas sua maturação
é bloqueada em estágio precoce do
desenvolvimento. Portanto, há uma "parada
da maturação", ocorrendo geralmente
na "fase blástica" do desenvolvimento.
Estas células leucêmicas mantêm
a capacidade de proliferação, resultando
um acúmulo progressivo das células
neoplásicas, que substituem os tecidos hematopoiéticos
normais, havendo uma passagem dessas células
para a corrente sangüínea. A leucemia
crônica, também descende de clones
de células primitivas, crescendo e proliferando
de maneira desordenada, distinguindo da aguda por
serem capazes de maturação. Por conseguinte,
as células matrizes neoplásicas podem
amadurecer e se transformar em neutrófilos,
sem sofrerem parada do desenvolvimento. Tendo como
aspecto característico um aumento considerável
de todas as células da série mielóide,
levando a um quadro de intensa leucocitose.
Anemia Falciforme
Autor: Márcia Konder Rodrigues dos
Santos
Resumo: Este trabalho trata de
uma das alterações hematológicas
hereditárias mais comuns conhecidas pelo
homem, a anemia falciforme. A doença, classificada
como uma hemoglobinopatia, é analisada neste,
em todos os seus aspectos, tais como, fisiopatologia,
genética, quadros clínicos e laboratorial,
dados epidemiológicos, bem como em sua prevenção
e tratamento entre outros. A anemia falciforme possui
uma hemoglobina anormal (Hb S) que sofreu uma mutação
gênica em sua estrutura que precipita dentro
da hemácia em baixas tensões de oxigênio,
conferindo a essas células o formato de foice.
Essas hemácias falcizadas, causam, principalmente,
a oclusão dos vasos sangüíneos,
propiciando consequências clínicas
que podem ser manifestadas em todos os sistemas
orgânicos. Seu diagnóstico pode ser
confirmado laboratorialmente, primordialmente através
da eletroforese de hemoglobina e do teste de falcização
com metabissulfito de sódio a 2%, já
que estes exames comprovam a presença de
hemoglobina S, a principal característica
da anemia falciforme. O prognóstico dos doentes
geralmente depende de seu diagnóstico, que
deve ser preferencialmente precoce. Seu tratamento
está baseado, especialmente na hidratação,
combate à dor e oxigenoterapia, e, apesar
da possibilidade de sua cura através do transplante
de medula óssea, devem-se considerar também
medidas profiláticas, ou seja, medidas que
previnam as complicações advindas
da doença.
Automação em Hematologia
Autor: Márcio Rodrigues
Resumo: A análise hematológica
após o advento da automação,
vem sendo a cada dia avaliada por vários
trabalhos científicos publicados em revistas
especializadas, que apresentam desde uma simples
comparação de diferencial relativo
de metodologia manual x metodologia automatizada,
até estudos que envolvem grupos de pacientes
comprovadamente com patologias hematológicas.
Tais procedimentos trazem resultados que estão
sendo tabulados, avaliados e estudados, com o objetivo
de que as características ou informações
mais precisas possivelmente fornecidas por metodologia
automatizada, possam gerar avaliações
precoces ou mesmo variações sutis,
que vão auxiliar no tratamento em fases iniciais
de algumas patologias hematológicas ou mesmo,
desmistificar conceitos existentes.