{"id":480,"date":"2013-07-30T18:33:06","date_gmt":"2013-07-30T18:33:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/?page_id=480"},"modified":"2013-08-12T20:32:37","modified_gmt":"2013-08-12T20:32:37","slug":"imunologia-do-cancer","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/publicacoes\/artigos-cientificos\/imunologia-do-cancer\/","title":{"rendered":"IMUNOLOGIA DO C\u00c2NCER"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>G\u00eanese do c\u00e2ncer<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A c\u00e9lula cancerosa \u00e9 originada de uma c\u00e9lula normal que foi induzida a mudar suas caracter\u00edsticas naturais relacionadas \u00e0 sua vida celular. Entre essas caracter\u00edsticas destacam-se: a) descontrole da reprodu\u00e7\u00e3o celular, ou seja, num determinado tempo do seu per\u00edodo vital a c\u00e9lula produz o dobro ou o triplo de c\u00e9lulas; b) ap\u00f3s o ciclo normal de vida, a c\u00e9lula morre naturalmente por desgaste metab\u00f3lico do DNA e organelas num processo conhecido por apoptose, enquanto que na c\u00e9lula cancerosa esse ciclo de vida se prolonga por muito tempo. As conseq\u00fc\u00eancias desses dois processos, geralmente de ocorr\u00eancia individualizada, se devem ao ac\u00famulo de c\u00e9lulas anormais que iniciam a forma\u00e7\u00e3o do tumor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios eventos biol\u00f3gicos induzem uma c\u00e9lula normal se tornar cancerosa, dos quais tr\u00eas causas s\u00e3o bem conhecidas: 1) infec\u00e7\u00e3o por v\u00edrus espec\u00edficos que desarranjam o controle gen\u00e9tico da c\u00e9lula por interfer\u00eancia no DNA; 2) indu\u00e7\u00e3o por agentes f\u00edsicos (raio X e outras radia\u00e7\u00f5es) ou agentes qu\u00edmicos (ex.: HO\u00b7 ou radical hidroxil) que promovem a quebra cromoss\u00f4mica e induz a atividade de oncogenes; 3)muta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas (fresh mutation) que provocam quebras cromoss\u00f4micas com trocas (ou transloca\u00e7\u00f5es) dos peda\u00e7os desses cromossomos, dele\u00e7\u00e3o de bases nitrogenadas do DNA, ou muta\u00e7\u00e3o de bases nitrogenadas. Todas essas altera\u00e7\u00f5es apresentadas s\u00e3o capazes de induzir a atividade de oncogenes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a c\u00e9lula ter sido transformada geneticamente, a sua capacidade de se viabilizar em c\u00e9lula cancerosa \u00e9 muito pequena, pois depende da mesma \u201cser aceita\u201d no ambiente celular ou tecidual em que ela est\u00e1 inserida. Na grande maioria das vezes essas c\u00e9lulas n\u00e3o s\u00e3o aceitas e essa n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o decorre por meio de tr\u00eas mecanismos biol\u00f3gicos: 1) a c\u00e9lulas cancerosa rec\u00e9m-formada \u00e9 eliminada pela sua inviabilidade naquele ambiente celular; 2) a c\u00e9lula cancerosa consegue se reproduzir no tecido, por\u00e9m em disputa com as outras c\u00e9lulas normais, as c\u00e9lulas cancerosas rec\u00e9m-formadas n\u00e3o recebem nutrientes por falta de vasculariza\u00e7\u00e3o \u2013 processo importante para torna-las vi\u00e1veis; essa falta de vasculariza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o natural do tecido em que as c\u00e9lulas cancerosas est\u00e3o instaladas; 3) o aparecimento de c\u00e9lula(s) cancerosa(s) desencadeia forte rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica contra sua(s) presen\u00e7a(s), efetuada por linf\u00f3citos T-CD8 (c\u00e9lulas citot\u00f3xicas) ou c\u00e9lulas NK.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1127\" aria-describedby=\"caption-attachment-1127\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1127\" alt=\"Linf\u00f3citos T-CD8 (azul) atacando uma c\u00e9lula tumoral (amarela) \" src=\"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/homologacao\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer1.jpg\" width=\"222\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer1.jpg 222w, https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer1-198x300.jpg 198w\" sizes=\"auto, (max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1127\" class=\"wp-caption-text\">Linf\u00f3citos T-CD8 (azul) atacando uma c\u00e9lula tumoral (amarela)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por todas essas raz\u00f5es o aparecimento de c\u00e9lulas cancerosas se torna extremamente limitado. Assim, a viabiliza\u00e7\u00e3o da c\u00e9lula cancerosa a faz \u201cvencedora\u201d ap\u00f3s superar todos os obst\u00e1culos apresentados at\u00e9 aqui. Quando a c\u00e9lula cancerosa se imp\u00f5e num tecido, ela forma o tumor prim\u00e1rio fixo, algumas vezes sentido pela apalpa\u00e7\u00e3o, ou detectados por diagn\u00f3sticos de imagens (radiografias, ultrassom, tomografias, etc.), ou percebidos por meio de marcadores tumorais (ex.: PSA-ant\u00edgeno espec\u00edfico prost\u00e1tico, etc.). Na fase do tumor prim\u00e1rio, precocemente identificado, \u00e9 poss\u00edvel a sua remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica ou terap\u00eautica (quimioterapia e radioterapia, principalmente). Por\u00e9m, em expressivo n\u00famero de situa\u00e7\u00f5es o tumor prim\u00e1rio cresce, atrai a vasculariza\u00e7\u00e3o para sua atividade metab\u00f3lica,<\/p>\n<figure id=\"attachment_1128\" aria-describedby=\"caption-attachment-1128\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1128\" alt=\"Forma\u00e7\u00e3o do tumor prim\u00e1rio geralmente pr\u00f3ximo a algum vaso sangu\u00edneo.\" src=\"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/homologacao\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer2.jpg\" width=\"250\" height=\"258\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1128\" class=\"wp-caption-text\">Forma\u00e7\u00e3o do tumor prim\u00e1rio geralmente pr\u00f3ximo a algum vaso sangu\u00edneo.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_1129\" aria-describedby=\"caption-attachment-1129\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1129\" alt=\"In\u00edcio da vasculariza\u00e7\u00e3o para alimentar as c\u00e9lulas tumorais.\" src=\"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/homologacao\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer3.jpg\" width=\"250\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer3.jpg 250w, https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer3-233x300.jpg 233w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1129\" class=\"wp-caption-text\">In\u00edcio da vasculariza\u00e7\u00e3o para alimentar as c\u00e9lulas tumorais.<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_1130\" aria-describedby=\"caption-attachment-1130\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1130\" alt=\"Vasculariza\u00e7\u00e3o que permite as c\u00e9lulas tumorais serem alimentadas e o seu deslocamento para outros tecidos.\" src=\"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/homologacao\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer4.jpg\" width=\"340\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer4.jpg 340w, https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer4-300x227.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1130\" class=\"wp-caption-text\">Vasculariza\u00e7\u00e3o que permite as c\u00e9lulas tumorais serem alimentadas<br \/>e o seu deslocamento para outros tecidos.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">fato que permite o deslocamento vascular das c\u00e9lulas cancerosas para outros tecidos, cujo processo \u00e9 conhecido por met\u00e1stase. Essa fase, geralmente caracterizada por descontroles metab\u00f3licos dos tecidos invadidos, \u00e9 muitas vezes prejudicada pela dificuldade da rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica do organismo devido aos m\u00faltiplos efeitos inflamat\u00f3rios causados pelas c\u00e9lulas tumorais. Esses focos inflamat\u00f3rios enfraquecem a rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica tornando o organismo cada vez mais suscept\u00edvel \u00e0 invas\u00e3o das c\u00e9lulas tumorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>A Imunologia do C\u00e2ncer<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos 15 anos a imunidade inata passou a ser muito conhecida especialmente devido ao desenvolvimento da imunologia, em grande parte impulsionada pela infec\u00e7\u00e3o causada pelo v\u00edrus HIV. A inflama\u00e7\u00e3o, marca caracter\u00edstica do processo imunol\u00f3gico reacional, tem ganhado reconhecimento como um contribuidor subjacente para as doen\u00e7as cr\u00f4nicas que incluem diabetes, depress\u00e3o, doen\u00e7a de Crohn e doen\u00e7a card\u00edaca. Recentemente os pesquisadores obtiveram ind\u00edcios da conex\u00e3o entre inflama\u00e7\u00e3o e c\u00e2ncer, transformando completamente o entendimento do c\u00e2ncer. Como se sabe, o c\u00e2ncer come\u00e7a com uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as gen\u00e9ticas induzidas por v\u00e1rios fatores: v\u00edrus, drogas, radia\u00e7\u00f5es, etc, que atacam um ou mais grupos de c\u00e9lulas, tornando-as com excessiva capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o e, assim, invadem tecidos vizinhos, onde tem in\u00edcio a malignidade. Um exemplo da biologia do c\u00e2ncer, por indu\u00e7\u00e3o viral, ocorre na leucemia e linfoma das c\u00e9lulas T do adulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eventualmente alguns tumores celulares podem se deslizar da matriz ou local de origem e dar in\u00edcio a novos tumores celulares em outros tecidos distantes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1131\" aria-describedby=\"caption-attachment-1131\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1131\" alt=\"Invas\u00e3o de c\u00e9lulas tumorais (vermelho) no tecido hep\u00e1tico. As c\u00e9lulas tumorais chegam por meio de vasos sangu\u00edneos do tecido hep\u00e1tico e se acomodam, dando in\u00edcio \u00e0 progress\u00e3o tumoral.\" src=\"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/homologacao\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer5.jpg\" width=\"399\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer5.jpg 399w, https:\/\/www.ciencianews.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/biolcancer5-300x193.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1131\" class=\"wp-caption-text\">Invas\u00e3o de c\u00e9lulas tumorais (vermelho) no tecido hep\u00e1tico. As c\u00e9lulas tumorais chegam por meio de vasos sangu\u00edneos do tecido hep\u00e1tico e se acomodam, dando in\u00edcio \u00e0 progress\u00e3o tumoral.<\/figcaption><\/figure>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Estudos imunol\u00f3gicos t\u00eam revelado que a progress\u00e3o da doen\u00e7a tecidual para a forma invasiva do c\u00e2ncer requer c\u00e9lulas que participam normalmente de processos de cicatriza\u00e7\u00e3o e outras atividades funcionais para serem desviadas para o local onde se est\u00e1 iniciando a forma\u00e7\u00e3o de tecido pr\u00e9-maligno; essas c\u00e9lulas s\u00e3o \u201cseq\u00fcestradas\u201d nesse ambiente \u201cpr\u00e9-maligno\u201d para\u00a0<strong>se tornarem c\u00famplices<\/strong>\u00a0na carcinog\u00eanese. Assim, compreende-se que um tumor n\u00e3o \u00e9 somente um conjunto de c\u00e9lulas aberrantes, mas \u00e9 dependente tamb\u00e9m de v\u00e1rios fatores como o micro ambiente tumoral que abrange c\u00e9lulas do tecido imunol\u00f3gico e sinais qu\u00edmicos que cruzam uma extensa rede de vasos sangu\u00edneos. Esse novo ponto de vista de compreender o c\u00e2ncer implica que a erradica\u00e7\u00e3o at\u00e9 a \u00faltima c\u00e9lula cancerosa se torna necess\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outro fato importante na imunologia dos tumores se refere ao TNF (Fator de necrose tumoral), descoberto no final da d\u00e9cada de 90, em que esta citocina quando administrada diretamente no tumor induzia a morte das c\u00e9lulas cancerosas. Entretanto, pesquisas recentes demonstraram que quando a presen\u00e7a do TNF se tornasse cr\u00f4nica no tumor, sua a\u00e7\u00e3o era ao contr\u00e1rio do que se previa. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o gene produtor do TNF se desligava e dessa forma n\u00e3o se produzia mais TNF (afinal havia alguma concentra\u00e7\u00e3o no tumor) e por essa raz\u00e3o o tumor n\u00e3o se contra\u00eda ou retra\u00eda. Essas pesquisas foram realizadas em camundongos. Recentemente o TNF tem sido relacionado como um sinalizador de processos proinflamat\u00f3rios com tend\u00eancia pr\u00e9maligna. Esse fato se torna evidente em algumas situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 bem conhecidas entre a rela\u00e7\u00e3o \u201cinflama\u00e7\u00e3o e c\u00e2ncer\u201d em dois exemplos t\u00edpicos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) a infec\u00e7\u00e3o com a bact\u00e9ria Helicobacter pylori induz a um tipo de inflama\u00e7\u00e3o que aumenta as chances da pessoa desenvolver o c\u00e2ncer g\u00e1strico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) a infec\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus da hepatite C tamb\u00e9m induz a inflama\u00e7\u00e3o no f\u00edgado com grande risco de causar c\u00e2ncer hep\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tudo o que se pode ler at\u00e9 o presente, presume-se que um determinado tumor pode \u201carmar uma cilada\u201d contra o sistema imune com o objetivo de dar continuidade \u00e0 sua sobreviv\u00eancia e ao seu crescimento. Os anticorpos e as c\u00e9lulas TCD8 do sistema imune adaptativo podem, \u00e0s vezes, atacar e destruir as c\u00e9lulas cancerosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A ind\u00fastria farmac\u00eautica e os pesquisadores t\u00eam procurado obter novas terapias para tamb\u00e9m \u201carmar uma cilada\u201d contra as c\u00e9lulas cancerosas. Entre essas novas terapias feitas com drogas biotecnol\u00f3gicas destacam-se os\u00a0<strong>anticorpos monoclonais<\/strong>\u00a0\u2013 anticorpos id\u00eanticos que s\u00e3o capazes de atacar ant\u00edgenos de c\u00e9lulas cancerosas. Os anticorpos monoclonais s\u00e3o classificados de<strong>imunoterapia passiva<\/strong>\u00a0porque s\u00e3o produzidos em cultura de c\u00e9lulas ou em cobaias e depois injetadas diretamente no paciente. Esse processo induzido laboratorialmente \u00e9 mais r\u00e1pido e eficiente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica em que o pr\u00f3prio paciente produz o seu anticorpo contra os ant\u00edgenos das c\u00e9lulas cancerosas. Em contraste, as vacinas contra c\u00e2ncer \u2013 que at\u00e9 agora tem mostrado resultados frustrantes \u2013 s\u00e3o classificados como\u00a0<strong>imunoterapia ativa<\/strong>. Nesse caso o paciente recebe a inje\u00e7\u00e3o de um ant\u00edgeno, geralmente extra\u00eddo das c\u00e9lulas cancerosas, para induzir a rea\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ant\u00edgenos do c\u00e2ncer s\u00e3o mais dif\u00edceis para serem identificados daqueles existentes em pat\u00f3genos (ex.: v\u00edrus, bact\u00e9rias) pois as c\u00e9lulas cancerosas\u00a0<strong>s\u00e3o formas mutantes das pr\u00f3prias c\u00e9lulas<\/strong>\u00a0da pessoa afetada pelo c\u00e2ncer. Assim, o sistema imune adaptativo nem sempre as v\u00ea como c\u00e9lulas estranhas e o tumor pode enganar o organismo, induzindo-o a desligar a resposta imunol\u00f3gica. Nesse novo contexto de entendimento da progress\u00e3o do c\u00e2ncer, situam-se novas perspectivas, agora de base imunol\u00f3gica, para inibir a a\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas malignas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Novas perspectivas para combater as c\u00e9lulas cancerosas<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o de vacina contra o c\u00e2ncer tem sido o desejo de todos aqueles que lidam com esse grave problema. Nesse contexto se juntam pesquisadores das \u00e1reas imunol\u00f3gica, citol\u00f3gica, cito-patol\u00f3gica, gen\u00e9tica, ambiental, farmacol\u00f3gica, epidemiol\u00f3gica, bioqu\u00edmica, fisio-qu\u00edmica e inform\u00e1tica. As ind\u00fastrias farmac\u00eauticas tamb\u00e9m entram nessa acirrada luta para obter vacinas espec\u00edficas contra os mais diversos tipos de c\u00e2ncer. Entretanto, tudo indica que o c\u00e2ncer tem um desenvolvimento quase personalizado para cada pessoa, pois o seu desenvolvimento depende da fragilidade da rea\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, quer seja:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) predisposi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, ambiental ou comportamental;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) imunidade;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) equil\u00edbrio ps\u00edquico-biol\u00f3gico;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) atendimento m\u00e9dico adequado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por todas essas raz\u00f5es a produ\u00e7\u00e3o de vacina contra o c\u00e2ncer \u00e9 algo que dever\u00e1 obedecer um crit\u00e9rio personalizado, em detrimento da vacina\u00e7\u00e3o tradicional \u2013 ou pluripessoal. Dentre as propostas que podem resultar em sucesso se destaca aquela em que se inicia pela extra\u00e7\u00e3o do tumor ou das c\u00e9lulas cancerosas e, a partir da\u00ed, estimular a\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas contra elas. Essas a\u00e7\u00f5es incluem:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) extra\u00e7\u00e3o de milhares de macr\u00f3fagos e c\u00e9lulas dendr\u00edticas do paciente com as c\u00e9lulas cancerosas;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) a retirada de ant\u00edgeno das c\u00e9lulas cancerosas e sua inser\u00e7\u00e3o nos macr\u00f3fagos e c\u00e9lulas dendr\u00edticas que foram isoladas (todo esse processo se faz em meio de cultura apropriado);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) aguardar que os milhares de macr\u00f3fagos e c\u00e9lulas dendr\u00edticas se ativam e passam a produzir interleucinas e citocinas capazes de estimular o sistema imunol\u00f3gico adaptativo do paciente (linf\u00f3citos T-CD4 e T-CD8, e linf\u00f3citos B);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) inje\u00e7\u00e3o desses macr\u00f3fagos e c\u00e9lulas dendr\u00edticas ativadas como c\u00e9lulas apresentadoras de ant\u00edgenos no organismo do paciente;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) finalmente esperar o bloqueio e as atividades das c\u00e9lulas cancerosas. O esquema abaixo, resume a produ\u00e7\u00e3o de \u201cvacina personalizada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1132\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/homologacao\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/esquema1.jpg\" width=\"323\" height=\"562\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Contran, R.S.; Kumar, V.; Collins, T.\u00a0<strong>Pathologic Basis of disease<\/strong>.W.B. Saundens Co. Philadelfia, USA, 2001.<br \/>\n&#8211; Stix, G.\u00a0<strong>A malignant flame<\/strong>. Scientific American, 297:42-49, 2007.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Trabalho produzido pela Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP. Esse trabalho \u00e9 apresentado em aulas nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o lato-sensu de Hematologia Cl\u00ednica, Laboratorial e Molecular.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Endere\u00e7o para correspond\u00eancia:<br \/>\nProf. Dr. Paulo Cesar Naoum<br \/>\na.c.t@terra.com.br<br \/>\nTel. (17) 3233-4490<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0G\u00eanese do c\u00e2ncer A c\u00e9lula cancerosa \u00e9 originada de uma c\u00e9lula normal que foi induzida a mudar suas caracter\u00edsticas naturais relacionadas \u00e0 sua vida celular. Entre essas caracter\u00edsticas destacam-se: a) descontrole da reprodu\u00e7\u00e3o celular, ou seja, num determinado tempo do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":130,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","template":"","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"class_list":["post-480","page","type-page","status-publish","hentry"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-thumbnail":false,"business-hub-blog":false,"business-hub-work":false},"uagb_author_info":{"display_name":"admin","author_link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/author\/admin\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00a0G\u00eanese do c\u00e2ncer A c\u00e9lula cancerosa \u00e9 originada de uma c\u00e9lula normal que foi induzida a mudar suas caracter\u00edsticas naturais relacionadas \u00e0 sua vida celular. 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