{"id":493,"date":"2013-07-30T19:13:38","date_gmt":"2013-07-30T19:13:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/?page_id=493"},"modified":"2013-08-05T20:10:56","modified_gmt":"2013-08-05T20:10:56","slug":"interpretacao-laboratorial-do-hemograma","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/publicacoes\/artigos-cientificos\/interpretacao-laboratorial-do-hemograma\/","title":{"rendered":"INTERPRETA\u00c7\u00c3O LABORATORIAL DO HEMOGRAMA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO hemograma \u00e9 o nome dado ao conjunto de avalia\u00e7\u00f5es das c\u00e9lulas do sangue que, reunido aos dados cl\u00ednicos, permite conclus\u00f5es diagn\u00f3sticas e progn\u00f3sticas de grande n\u00famero de patologias. A introdu\u00e7\u00e3o do hemograma na pr\u00e1tica m\u00e9dica ocorreu em 1925 por meio de crit\u00e9rios estabelecidos pelo m\u00e9dico e farmac\u00eautico alem\u00e3o V.Schilling.<br \/>\nEntre todos os exames laboratoriais atualmente solicitados por m\u00e9dicos de todas as especialidades, o hemograma \u00e9 o mais requerido. Por essa raz\u00e3o reveste-se de grande import\u00e2ncia no conjunto de dados que devem ser considerados para o diagn\u00f3stico m\u00e9dico, n\u00e3o se admitindo erros ou conclus\u00f5es duvidosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>An\u00e1lises que comp\u00f5em o hemograma<br \/>\n<\/strong>O hemograma \u00e9 composto por tr\u00eas determina\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que incluem as avalia\u00e7\u00f5es dos eritr\u00f3citos (ou s\u00e9rie vermelha), dos leuc\u00f3citos (ou s\u00e9rie branca) e das plaquetas (ou s\u00e9rie plaquet\u00e1ria).<br \/>\nA an\u00e1lise da s\u00e9rie vermelha \u00e9 constitu\u00edda pelas seguintes determina\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas:\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Contagem de eritr\u00f3citos (CE): 106\/mm3<br \/>\n2 \u2013 Dosagem da hemoglobina (Hb): g\/dL<br \/>\n3 \u2013 Hemat\u00f3crito (Ht): %<br \/>\n4 \u2013 Volume Corpuscular M\u00e9dio (VCM): mm3 ou fm3<br \/>\n5 \u2013 Hemoglobina Corpuscular M\u00e9dia (HCM): pg<br \/>\n6 \u2013 Concentra\u00e7\u00e3o da Hemoglobina Corpuscular M\u00e9dia (CHCM): g\/dL<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente com a automatiza\u00e7\u00e3o das avalia\u00e7\u00f5es das c\u00e9lulas do sangue, aliada a programas de inform\u00e1tica, obt\u00e9m-se dados sobre di\u00e2metro ou superf\u00edcie celular, histograma e gr\u00e1ficos de distribui\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas. Especificamente para a s\u00e9rie vermelha a automatiza\u00e7\u00e3o fornece o \u00edndice RDW que avalia a amplitude da superf\u00edcie dos eritr\u00f3citos.<br \/>\nA s\u00e9rie branca, por sua vez, \u00e9 analisada por meio dos seguintes \u00edndices:\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 Contagem total de leuc\u00f3citos (CTL): 103\/mm3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Contagem diferencial de leuc\u00f3citos (CDL)<br \/>\nNeutr\u00f3filos (Bastonetes e Segmentados): % e 103\/mm3<br \/>\nEosin\u00f3filos: % e 103\/mm3<br \/>\nBas\u00f3filos: % e 103\/mm3<br \/>\nLinf\u00f3citos: % e 103\/mm3<br \/>\nMon\u00f3citos: % e 103\/mm3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A contagem diferencial de cada leuc\u00f3cito \u00e9 emitida em % (ou valor relativo) e em 103\/mm3 (ou valor absoluto). O valor absoluto tem melhor express\u00e3o diagn\u00f3stica em rela\u00e7\u00e3o ao valor relativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As plaquetas s\u00e3o analisadas quantitativamente (CP: 103\/mm3) e com uso de contadores automatizados \u00e9 poss\u00edvel obter o \u00edndice PDW (%) que fornece o resultado da amplitude da superf\u00edcie das plaquetas quantificadas, bem como o MPV (fm3) que indica o volume m\u00e9dio plaquet\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as avalia\u00e7\u00f5es apresentadas at\u00e9 aqui s\u00e3o resultados quantitativos das tr\u00eas s\u00e9ries: vermelha, branca e plaquet\u00e1ria. Entretanto o hemograma deve abranger as an\u00e1lises qualitativas dos eritr\u00f3citos, leuc\u00f3citos e plaquetas que consideram o tamanho e a forma celular, a colora\u00e7\u00e3o e as inclus\u00f5es citoplasm\u00e1ticas e nucleares, a presen\u00e7a de vac\u00faolos, as atipias celulares, etc. Essas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para auxiliar o diagn\u00f3stico cl\u00ednico, p.ex.: eritr\u00f3citos falcizados nos esfrega\u00e7o sangu\u00edneo indicam rela\u00e7\u00e3o com doen\u00e7a falciforme; expressivo n\u00famero de linf\u00f3citos at\u00edpicos pode estar relacionado a viroses; plaquetas gigantes geralmente est\u00e3o associadas a determinadas s\u00edndromes, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>An\u00e1lises n\u00e3o automatizadas (manual) e automatizadas<br \/>\n<\/strong>O hemograma pode ser realizado utilizando equipamentos n\u00e3o automatizados, erroneamente denominados \u201cmetodologia manual\u201d e, tamb\u00e9m, por meio de equipamentos automatizados com ampla varia\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica eletr\u00f4nica associada \u00e0 inform\u00e1tica. V\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas comparando as metodologias n\u00e3o automatizada e automatizada demonstram que os resultados obtidos n\u00e3o apresentam diferen\u00e7as estatisticamente significantes. Entretanto a tend\u00eancia natural \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o gradual pelos equipamentos automatizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na an\u00e1lise n\u00e3o automatizada s\u00e3o usados tr\u00eas equipamentos: microsc\u00f3pio, centr\u00edfuga ou microcentr\u00edfuga e espectrofot\u00f4metro ou fotocolor\u00edmetro. Atrav\u00e9s do microsc\u00f3pio s\u00e3o feitas as contagens de eritr\u00f3citos, leuc\u00f3citos (total e diferencial) e de plaquetas, usando c\u00e2mara de Neubauer e l\u00e2mina corada. A centr\u00edfuga ou microcentr\u00edfuga fornece o valor do hemat\u00f3crito, enquanto que o espectrofot\u00f4metro ou fotocolor\u00edmetro permite a leitura da hemoglobina. \u00c9 fundamental que todos esses equipamentos sejam de boa qualidade e sensibilidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise automatizada tem facilitado o desempenho da rotina laboratorial, especialmente quando h\u00e1 mais de vinte hemogramas\/dia. Os equipamentos dispon\u00edveis permitem an\u00e1lises de 30 hemogramas\/hora at\u00e9 120 hemogramas\/hora. Os aparelhos mais simples t\u00eam por base o princ\u00edpio da imped\u00e2ncia, ou seja, a forma\u00e7\u00e3o de corrente el\u00e9trica entre dois eletrodos; quando uma c\u00e9lula atravessa a corrente el\u00e9trica \u00e9 gerado um impulso el\u00e9trico que \u00e9 quantificado, conforme o di\u00e2metro que se d\u00e1 especificamente para eritr\u00f3citos, leuc\u00f3citos ou plaquetas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os equipamentos automatizados avan\u00e7ados utilizam diferentes canais com imped\u00e2ncias espec\u00edficas, permitindo contagens de eritr\u00f3citos, leuc\u00f3citos e plaquetas ao mesmo tempo. Al\u00e9m disso podem ter agregados a essa fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica os seguintes recursos: citometria de fluxo, citoqu\u00edmica e citologia diferencial com capacidade de distinguir c\u00e9lulas imaturas (reticul\u00f3citos e blastos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De qualquer forma, a op\u00e7\u00e3o por um ou outro tipo de an\u00e1lise automatizada e n\u00e3o automatizada est\u00e1 relacionada ao n\u00famero de exames de cada laborat\u00f3rio. A qualidade dos resultados depende da boa execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, interpreta\u00e7\u00e3o dos valores, manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos e constante padroniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recep\u00e7\u00e3o, coleta e encaminhamento da amostra de sangue<br \/>\n<\/strong>Para realizar com compet\u00eancia t\u00e9cnica o hemograma \u00e9 preciso seguir uma linha de conduta devidamente padronizada que se inicia com a recep\u00e7\u00e3o do paciente. Essa fase inclui a pr\u00f3pria receptividade, oferecendo ao cliente um ambiente adequado com tratamento profissional. A identifica\u00e7\u00e3o do paciente deve conter os seguintes dados: nome completo, sexo, idade ou data de nascimento, endere\u00e7o completo, telefone, nome do m\u00e9dico que solicitou o hemograma e o n\u00famero do registro do paciente no seu laborat\u00f3rio. A coleta deve ser precedida por algumas observa\u00e7\u00f5es do coletador: a) estado f\u00edsico do paciente: normal, ofegante, febril, excitado, desidratado, etc.; b) perguntar se est\u00e1 usando medicamentos. As informa\u00e7\u00f5es pertinentes devem ser anotadas no prontu\u00e1rio do paciente. A obten\u00e7\u00e3o da amostra de sangue deve ser realizada com o paciente descansado, bem acomodado (deitado ou sentado), com o garrote suficientemente ajustado evitando seu uso prolongado. Obedecer criteriosamente a rela\u00e7\u00e3o entre o volume de sangue coletado e a concentra\u00e7\u00e3o de anticoagulante para evitar a hemodilui\u00e7\u00e3o ou a hemoconcentra\u00e7\u00e3o. O anticoagulante recomendado \u00e9 o EDTA com sal pot\u00e1ssio (EDTA-K2) na concentra\u00e7\u00e3o final de 1,5 a 2,2mg\/ml de sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a coleta, o tubo contendo o sangue, deve ser homogeneizado lentamente por invers\u00e3o no m\u00ednimo por cinco vezes e, a seguir, retirar pequena al\u00edquota para fazer o esfrega\u00e7o sangu\u00edneo. O tubo com o sangue, esfrega\u00e7o e prontu\u00e1rio devem ser encaminhados juntos para a an\u00e1lise no per\u00edodo m\u00e1ximo de 4 horas (muitos neutr\u00f3filos t\u00eam vida m\u00e9dia de 4 horas). Ap\u00f3s as an\u00e1lises o profissional de laborat\u00f3rio tem o dever de conferir os resultados, inter-relacionando-os e confrontando-os com idade, sexo, uso de medicamentos e com o estado f\u00edsico do paciente (quando alterado) anotado no prontu\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A an\u00e1lise do esfrega\u00e7o<br \/>\n<\/strong>O esfrega\u00e7o sangu\u00edneo bem feito \u00e9 composto por tr\u00eas partes: espessa, medial e fina. A colora\u00e7\u00e3o \u00e9 efetuada com corantes que tem em sua composi\u00e7\u00e3o o azul de metileno, a eosina e o metanol. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de m\u00e9todos: Leishman, Giemsa, May-Grunwald, Wright, pan\u00f3tico, etc. Alguns desses m\u00e9todos necessitam de tamp\u00e3o com pH 7.0 e de baixa molaridade (\u00e1gua tamponada). A melhor an\u00e1lise se consegue na por\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do esfrega\u00e7o, enquanto que na por\u00e7\u00e3o fina os eritr\u00f3citos e leuc\u00f3citos aparecem geralmente com deforma\u00e7\u00f5es artefatuais. Ao percorrer o esfrega\u00e7o \u00e9 necess\u00e1rio obedecer um padr\u00e3o de deslizamento transversal e longitudinal, contemplando o corpo do esfrega\u00e7o. As morfologias de eritr\u00f3citos, leuc\u00f3citos e plaquetas devem ser mentalizadas na seguinte seq\u00fc\u00eancia de considera\u00e7\u00f5es: a) tamanho; b) forma; c) colora\u00e7\u00e3o celular; d) inclus\u00f5es, conforme mostra a tabela 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Tabela 1: Resumo das principais caracter\u00edsticas de altera\u00e7\u00f5es das tr\u00eas s\u00e9ries celulares do sangue.\u00a0<\/b><\/p>\n<table width=\"500\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"103\">\n<p align=\"right\">\u00a0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"194\"><b>Eritr\u00f3citos<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"91\"><b>Leuc\u00f3citos<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"106\"><b>Plaquetas<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"right\"><b>Tamanho<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">Micro\/Macro\/Megal\u00f3citos<\/td>\n<td valign=\"top\">&#8212;&#8212;&#8212;-<\/td>\n<td valign=\"top\">Macro\/Gigantes<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"right\"><b>Forma<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">Poiquil\u00f3citos (v\u00e1rios tipos)<\/td>\n<td valign=\"top\">Atipias, Pelger<\/td>\n<td valign=\"top\">Agranular<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"right\"><b>Colora\u00e7\u00e3o celular<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">Hipo\/Hipercromia, Policromasia<\/td>\n<td valign=\"top\">Basofilias<\/td>\n<td valign=\"top\">Cinzenta<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"right\"><b>Inclus\u00f5es<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">Pontilhados, Howell-Jolly, Plasm\u00f3dios, etc<\/td>\n<td valign=\"top\">T\u00f3xicas, Dohle, etc<\/td>\n<td valign=\"top\">&#8212;&#8212;&#8212;-<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">As observa\u00e7\u00f5es dessas altera\u00e7\u00f5es devem ser descritas com crit\u00e9rio, ou seja, \u00e9 comum observar um ou dois linf\u00f3citos at\u00edpicos em quase todas as pessoas. Da mesma forma \u00e9 poss\u00edvel visualizar alguns eritr\u00f3citos hipocr\u00f4micos com o eritrograma normal. Esses exemplos mostram altera\u00e7\u00f5es de pouca relev\u00e2ncia e n\u00e3o devem ser descritos. Somente se descreve quando essas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o constantes em v\u00e1rios campos microsc\u00f3picos, por exemplo: atualmente se destaca a presen\u00e7a de linf\u00f3citos at\u00edpicos quando seu n\u00famero \u00e9 superior a 5% dos leuc\u00f3citos contados. De forma geral aconselha-se o uso das seguintes palavras: leve ou discreta, moderada e acentuada (ex.: acentuadas anisocitose, poiquilocitose e hipocromia eritrocit\u00e1ria). Evitar o uso de cruzes (+) pois o significado pode estigmatizar sua rela\u00e7\u00e3o com a gravidade da doen\u00e7a, preocupando o paciente inadequadamente.<\/p>\n<p><strong>Terminologia hematol\u00f3gica<br \/>\n<\/strong>A terminologia deve ser padronizada, obedecendo a crit\u00e9rios internacionais. Sua import\u00e2ncia \u00e9 simples de ser explicada por meio do entendimento do seu significado por qualquer profissional de sa\u00fade, de qualquer cidade, estado, regi\u00e3o ou pa\u00eds. Assim convencionou-se por usar prefixos e sufixos do grego e do latim, conforme mostra a tabela 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 2: Prefixos e Sufixos comuns do Grego e Latim usados no vocabul\u00e1rio hematol\u00f3gico.<\/strong><\/p>\n<table width=\"277\" border=\"0\" cellspacing=\"6\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"93\"><b>Prefixos<\/b><\/td>\n<td width=\"166\"><b>Significados<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>a &#8211; \/ na &#8211;<\/td>\n<td>falta, sem, ausente, diminu\u00eddo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>aniso &#8211;<\/td>\n<td>desigual<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>cito &#8211;<\/td>\n<td>c\u00e9lula<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>dis &#8211;<\/td>\n<td>anormal, ruim<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>eritro &#8211;<\/td>\n<td>vermelho<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>hemo &#8211; \/ hemato &#8211;<\/td>\n<td>pertinente a sangue<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>hipo &#8211;<\/td>\n<td>abaixo, deficiente<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>hiper &#8211;<\/td>\n<td>acima, aumentado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>iso &#8211;<\/td>\n<td>igual<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>leuco &#8211;<\/td>\n<td>branco<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>macro &#8211;<\/td>\n<td>grande<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>mega &#8211;<\/td>\n<td>muito grande, gigante<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>meta &#8211;<\/td>\n<td>mudan\u00e7a<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>micro &#8211;<\/td>\n<td>pequeno<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>mielo &#8211;<\/td>\n<td>da medula<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>pan &#8211;<\/td>\n<td>todos, global<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>poiquilo &#8211;<\/td>\n<td>variado, irregular<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>poli &#8211;<\/td>\n<td>muitos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>esquiso &#8211;<\/td>\n<td>partido, desintegrado<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>trombo &#8211;<\/td>\n<td>co\u00e1gulo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; cito<\/td>\n<td>c\u00e9lula<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; emia<\/td>\n<td>sangue<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; f\u00edlico<\/td>\n<td>atra\u00eddo, afinidade para<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; ite<\/td>\n<td>inflama\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; lise<\/td>\n<td>destrui\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; oma<\/td>\n<td>tumor, incha\u00e7o<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; opatia<\/td>\n<td>doen\u00e7a<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; ose<\/td>\n<td>aumento anormal, doen\u00e7a<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; penia<\/td>\n<td>defici\u00eancia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; poiese<\/td>\n<td>forma\u00e7\u00e3o com desenvolvimento<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8211; poietina<\/td>\n<td>produ\u00e7\u00e3o estimulada<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>An\u00e1lise da s\u00e9rie vermelha<br \/>\n<\/strong>A an\u00e1lise da s\u00e9rie vermelha contempla a quantifica\u00e7\u00e3o de eritr\u00f3citos, hemat\u00f3crito, dosagem de hemoglobina e \u00edndices hematim\u00e9tricos (VCM, HCM, CHCM, RDW), bem como o exame microsc\u00f3pico da morfologia eritrocit\u00e1ria. Esses dois conjuntos de an\u00e1lises fornecem subs\u00eddios para o diagn\u00f3stico das principais causas de anemias. Para a exposi\u00e7\u00e3o desse assunto e para facilitar o entendimento dos leitores, podemos considerar inicialmente a quantifica\u00e7\u00e3o dos eritr\u00f3citos \u2013 que dar\u00e1 subs\u00eddios para a \u201cclassifica\u00e7\u00e3o laboratorial das anemias\u201d e, a seguir, a an\u00e1lise morfol\u00f3gica dos eritr\u00f3citos que auxilia na \u201cclassifica\u00e7\u00e3o das causas e dos tipos de anemias\u201d. Define-se por anemia quando o eritrograma apresenta a concentra\u00e7\u00e3o da dosagem de hemoglobina menor que o valor padr\u00e3o para a idade, ou para homens e mulheres adultos (tabela 3).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise quantitativa dos eritr\u00f3citos e que permite a classifica\u00e7\u00e3o laboratorial das anemias se suporta nos valores dos \u00edndices hematim\u00e9tricos de VCM e HCM, conforme mostra a tabela 3.<\/p>\n<p><strong>Tabela 3: Valores m\u00ednimos e m\u00e1ximos dos valores eritrocit\u00e1rios, conforme a faixa et\u00e1ria e sexos masculino e feminino em adultos obtidos na regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP.<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"63\">Eritrograma<\/td>\n<td width=\"63\">RN*<\/td>\n<td width=\"63\">1 a 11 meses<\/td>\n<td width=\"63\">1 a 2 anos<\/td>\n<td width=\"63\">3 a 10 anos<\/td>\n<td width=\"63\">10 a 15 anos<\/td>\n<td width=\"63\">Adulto masc**<\/td>\n<td width=\"63\">Adulto fem**<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Eritr\u00f3citos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">5.2<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">4.0 \u2013 4.9<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">4.0 \u2013 5.1<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">4.0 \u2013 5.1<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">4.0 \u2013 5.1<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">4.5 \u2013 6.1<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">4.0 \u2013 5.4<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Hemoglobina<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">17.0<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10.3 \u2013 12.7<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10.6 \u2013 13.0<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">11.5 \u2013 14.5<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">11.5 \u2013 14.5<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">12.8 \u2013 14.5<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">11.3 \u2013 16.3<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Hemat\u00f3crito<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">52.0<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">33 \u2013 41<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">33 \u2013 41<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">34 \u2013 42<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">34 \u2013 42<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">40 \u2013 54<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">36 \u2013 48<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>HCM<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">27 \u2013 31<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">25 \u2013 29<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">25 \u2013 29<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">26 \u2013 29<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">26 \u2013 29<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">27 \u2013 29<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">27 \u2013 29<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>VCM<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">80 \u2013100<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">75 \u2013 90<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">75 \u2013 90<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">77 \u2013 90<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">77 \u2013 90<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">77 \u2013 92<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">77 \u2013 92<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>CHCM<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30 \u2013 35<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>RDW<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">10 \u2013 15<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Valores m\u00e9dios em RN at\u00e9 15 dias de vida.<br \/>\n** O termo adulto nesse caso \u00e9 considerado quando os n\u00edveis hormonais est\u00e3o bem estabelecidos e a massa corporal bem definida, geralmente acima dos 15 anos.<\/p>\n<p>Quando um paciente com anemia (Hb abaixo do valor padr\u00e3o) se apresenta com o VCM e HCM diminu\u00eddos, denomina-se anemia microc\u00edtica e hipocr\u00f4mica; se o VCM e HCM estiverem dentro dos valores da faixa de normalidade, a anemia \u00e9 normoc\u00edtica e normocr\u00f4mica; e se o VCM estiver elevado (n\u00e3o h\u00e1 HCM elevado!) a anemia \u00e9 do tipo macroc\u00edtica.<\/p>\n<p>Para exemplificar essas tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es, consideremos os exemplos hipot\u00e9ticos de 3 diferentes mulheres adultas, comparando seus resultados com os da tabela 3.<\/p>\n<table width=\"250\" border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"130\">\u00a0<\/td>\n<td width=\"50\">\n<p align=\"center\">Caso 1<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"50\">\n<p align=\"center\">Caso 2<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"50\">\n<p align=\"center\">Caso 3<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Eritr\u00f3citos (x106)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">3,8<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">3,3<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">2,8<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Hemoglobina (g\/dL)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">8,5<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">9,0<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">8,3<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Hemat\u00f3crito (%)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">27<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">27<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>HCM (pg)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">22<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">27<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">28<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>VCM (fL)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">71<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">90<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">96<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>CHCM (g\/dL)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">31<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">30<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>RDW (%)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">16<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">17<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">16<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>caso 1<\/strong>\u00a0\u00e9 t\u00edpico de anemia microc\u00edtica (VCM diminu\u00eddo) e hipocr\u00f4mica (HCM diminu\u00eddo); o\u00a0<strong>caso 2<\/strong>\u00a0\u00e9 caracter\u00edstico de anemia normoc\u00edtica (VCM normal) e normocr\u00f4mica (HCM normal); o\u00a0<strong>caso 3<\/strong>\u00a0\u00e9 indicativo de anemia macroc\u00edtica (VCM aumentado).<\/p>\n<p>Se formos analisar a morfologia eritrocit\u00e1ria desses tr\u00eas casos \u00e9 muito poss\u00edvel que no caso 1 sejam visualizados eritr\u00f3citos microc\u00edticos e hipocr\u00f4micos; no caso 2 podem ser observados eritr\u00f3citos microc\u00edticos, macroc\u00edticos e normocr\u00f4micos (que na m\u00e9dia dos valores resultem em VCM normal) e anisocromia com eritr\u00f3citos normocr\u00f4micos e hipocr\u00f4micos (que na m\u00e9dia dos valores resultem em HCM normal), no caso 3 a anemia \u00e9 do tipo macroc\u00edtica e normocr\u00f4mica com predom\u00ednio de macr\u00f3citos normocr\u00f4micos.<\/p>\n<p>O \u00edndice CHCM nem sempre est\u00e1 diminu\u00eddo nas anemias, entretanto observa-se sua diminui\u00e7\u00e3o em casos graves de hipocromia (ex.: talassemia beta maior, anemia ferropriva grave). Por outro lado, a eleva\u00e7\u00e3o do CHCM quase sempre est\u00e1 relacionada com elevado n\u00famero de eritr\u00f3citos esfer\u00f3citos (ex.: esferocitose heredit\u00e1ria). O \u00edndice RDW tem import\u00e2ncia quando est\u00e1 aumentado acima do padr\u00e3o e \u00e9 indicativo de anisocitose.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o qualitativa dos eritr\u00f3citos complementa o eritrograma e sua an\u00e1lise obedece a uma seq\u00fc\u00eancia anal\u00edtica: tamanho (anisocitose), forma (poiquilocitose), colora\u00e7\u00e3o (hipocromia e hipercromia) e inclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Apresento a seguir a sinopse das principais, mas n\u00e3o todas, altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas dos eritr\u00f3citos, relacionando-as com as principais causas de anemias (tabela 4).<\/p>\n<p><strong>Tabela 4: Altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas de eritr\u00f3citos relacionadas \u00e0s principais causas de anemias.<\/strong><\/p>\n<table width=\"500\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Termo geral<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Termo espec\u00edfico<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Principais ocorr\u00eancias<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">Anisocitose(Tamanho)<\/td>\n<td valign=\"top\">Micr\u00f3citosMacr\u00f3citos<\/td>\n<td valign=\"top\">Ferropenia, TalassemiasDef. B<sub>12<\/sub>\u00a0e Folatos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">Poiquilocitose(Forma)<\/td>\n<td valign=\"top\">C\u00e9lulas em alvoLept\u00f3citosDacri\u00f3citos<\/p>\n<p>Esquis\u00f3citos<\/p>\n<p>Esfer\u00f3citos<\/p>\n<p>Elipt\u00f3citos<\/p>\n<p>Falciforme<\/p>\n<p>Estomat\u00f3citos<\/p>\n<p>Equin\u00f3citos<\/p>\n<p>Acant\u00f3citos<\/td>\n<td valign=\"top\">Ferropenia, talassemiasFerropeniaTalassemias<\/p>\n<p>Talassemias<\/p>\n<p>Esferocitoses, anemias hemol\u00edticas<\/p>\n<p>Eliptocitose<\/p>\n<p>Doen\u00e7a falciforme<\/p>\n<p>Estomatocitose, Hepatopatias<\/p>\n<p>Hepatopatias, artefato (*)<\/p>\n<p>Hepatopatias, artefato (*)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">Colora\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td valign=\"top\">Hipocr\u00f4micaHipercromia<\/td>\n<td valign=\"top\">Ferropenia, TalassemiasEsfer\u00f3citos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">Inclus\u00f5es<\/td>\n<td valign=\"top\">Pontilhados bas\u00f3filosHowell-JollyAnel de Cabot<\/p>\n<p>Parasitas<\/td>\n<td valign=\"top\">Talassemias, Intoxica\u00e7\u00e3o Pb (**)Anemias hemol\u00edticasAnemia grave<\/p>\n<p>Mal\u00e1ria<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">(*) Tamp\u00e3o com pH \u00e1cido; sangue coletado &gt; 24 horas<br \/>\n(**) Pb: chumbo<\/p>\n<p><strong>An\u00e1lise da s\u00e9rie branca<br \/>\n<\/strong>Essa an\u00e1lise \u00e9 tamb\u00e9m conhecida por leucograma e avalia as contagens total e diferencial (valores relativo e absoluto) dos leuc\u00f3citos, bem como a morfologia dos neutr\u00f3filos, linf\u00f3citos e mon\u00f3citos, principalmente.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o quantitativa, que incluem as contagens total e diferencial \u00e9 baseada em valores padr\u00f5es estabelecidos por faixas et\u00e1rias conforme mostra a tabela 5.<\/p>\n<p><strong>Tabela 5 \u2013 Valores m\u00ednimos e m\u00e1ximos das contagens absoluta e diferencial de leuc\u00f3citos obtidos na regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP.\u00a0<\/strong><\/p>\n<table width=\"500\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Leuc\u00f3citos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>1 a 3 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>4 a 14 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"2\" valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Acima de 14 anos<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>%<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>absoluta**<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>%<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>absoluta**<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>%<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>absoluta**<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Leuc\u00f3citos<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>Totais<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">&#8212;-<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">5.0 \u2013 15.0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">&#8212;-<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">4.5 \u2013 11,0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">&#8212;-<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">4.0 \u2013 11.0<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>N. Bastonete *<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2 \u2013 8<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.1 \u2013 0.6<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2 \u2013 4<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.1 \u2013 0,4<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2 \u2013 4<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.1 \u2013 0.4<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>N. Segmentado *<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">20 \u2013 40<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2.0 \u2013 6.0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">35 \u2013 55<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2.0 \u2013 6.0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">36 \u2013 66<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2.0 \u2013 7.5<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Eosin\u00f3filo<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">4 \u2013 10<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.2 \u2013 1.5<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">4 \u2013 8<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.3 \u2013 1.0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2 \u2013 4<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.1 \u2013 0.4<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Bas\u00f3filo<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0 \u2013 1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.0 \u2013 0.1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0 \u2013 1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.0 \u2013 0.1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0 \u2013 1<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.0 \u2013 0.1<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Linf\u00f3cito<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">40 \u2013 60<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2.0 \u2013 8.0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">30 \u2013 55<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">1.5 \u2013 6.5<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">25 \u2013 45<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">1.5 \u2013 4.0<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\"><b>Mon\u00f3cito<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">4 \u2013 10<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.2 \u2013 1.5<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">4 \u2013 10<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.2 \u2013 1.0<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">2 \u2013 10<\/p>\n<\/td>\n<td valign=\"top\">\n<p align=\"center\">0.2 \u2013 0.8<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">* N: Neutr\u00f3filo<br \/>\n**: x 109\/L ou x 1000\/mm3<\/p>\n<p>A primeira an\u00e1lise do leucograma se suporta na verifica\u00e7\u00e3o da contagem total dos leuc\u00f3citos: quando os mesmos est\u00e3o acima do valor padr\u00e3o para a idade denomina-se por leucocitose, e quando abaixo por leucopenia. Especialmente a leucocitose deve ser adjetivada em discreta (ou leve), moderada e acentuada, de acordo com os valores do leucograma. Exemplo: crian\u00e7a com 7 anos de idade (ver tabela 5) com leuc\u00f3citos entre 11 e 15 x 103\/mm3 \u00e9 qualificada de leucocitose discreta ou leve; entre 15 e 20 x 103\/mm3 por leucocitose moderada; acima de 20 x 103\/mm3 por leucocitose acentuada. As leucocitoses ocorrem basicamente em tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: leucocitose fisiol\u00f3gica \u2013 geralmente de grau leve \u00e9 comum em gestantes, RN, lactantes, ap\u00f3s exerc\u00edcios f\u00edsicos e em pessoas com febre; leucocitose reativa \u2013 est\u00e3o notadamente relacionadas com o aumento de neutr\u00f3filos e se devem \u00e0s infec\u00e7\u00f5es bacterianas, inflama\u00e7\u00f5es, necrose tecidual e doen\u00e7as metab\u00f3licas; leucocitose patol\u00f3gica \u2013 est\u00e3o relacionadas a doen\u00e7as mieloproliferativas (leucemias miel\u00f3ides, policitemia vera, mieloesclerose) e linfoproliferativas (leucemias linf\u00f3ides e alguns linfomas). Na vig\u00eancia de leucocitoses \u00e9 fundamental a cuidadosa an\u00e1lise da morfologia leucocit\u00e1ria, distinguindo para os neutr\u00f3filos as seguintes verifica\u00e7\u00f5es: presen\u00e7a de neutr\u00f3filos jovens (bast\u00f5es, metamiel\u00f3citos, miel\u00f3citos e promiel\u00f3citos), granula\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas, vac\u00faolos citoplasm\u00e1ticos e inclus\u00f5es anormais (ex.: Chediack-Higashi, May-Hegglin, Alder, etc.). Nas leucocitoses patol\u00f3gicas, especialmente aquelas que derivam de leucemias agudas, \u00e9 comum observar leuc\u00f3citos jovens e com nucl\u00e9olos \u2013 os blastos. Em leucemias miel\u00f3ides agudas a presen\u00e7a de blastos (ou mieloblastos) \u00e9 muito freq\u00fcente, da mesma forma que os blastos (ou linfoblastos) nas leucemias linf\u00f3ides agudas. H\u00e1 necessidade de se ter muita seguran\u00e7a para liberar no laudo a presen\u00e7a de c\u00e9lulas bl\u00e1sticas. Para evitar constrangimentos desnecess\u00e1rios, sugere-se que na vig\u00eancia de leucocitoses e presen\u00e7a de c\u00e9lulas bl\u00e1sticas ou jovens se deva fazer um contato com o m\u00e9dico do paciente antes da libera\u00e7\u00e3o do laudo.<\/p>\n<p>As infec\u00e7\u00f5es virais, por sua vez, induzem a linfocitose relativa, com ou sem leucocitose e, \u00e0s vezes, at\u00e9 leucopenias. Nesses casos a presen\u00e7a de linf\u00f3citos at\u00edpicos que se caracterizam pelas morfologias alteradas nas formas do n\u00facleo e da c\u00e9lula, na rela\u00e7\u00e3o n\u00facleo\/citoplasm\u00e1tica e intensa basofilia do citoplasma, constantemente ultrapassa a 5% dos linf\u00f3citos contados. Muitas vezes as infec\u00e7\u00f5es virais sensibilizam as c\u00e9lulas apresentadoras de ant\u00edgenos as quais s\u00e3o caracterizadas pela monocitose e linfocitose conjuntamente, como ocorrem na mononucleose infecciosa.<\/p>\n<p>A leucopenia muitas vezes se deve \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos neutr\u00f3filos e pode ser de causas fisiol\u00f3gica ou induzida por drogas e poluentes, reativa e processos imunol\u00f3gicos (tabela 6).<\/p>\n<p><strong>Tabela 6: Algumas causas de leucopenia por neutropenia.<\/strong><\/p>\n<table width=\"500\" border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"63\"><b>Tipos<\/b><\/td>\n<td width=\"434\"><b>Causa<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fisiol\u00f3gica<\/td>\n<td>Comum em africanos e descendentes, ou familiar.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Drogas<\/td>\n<td>Anti-inflamat\u00f3rios (ex.: butazonas) Anti-bacterianos (ex.: cloranfenicol) Anti-convulsivantes, anti-depressivos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Poluentes<\/td>\n<td>Derivados do benzeno, fertilizantes, agro-t\u00f3xicos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Reativa<\/td>\n<td>Infec\u00e7\u00f5es bacterianas p\/ gram negativos, tifo, brucelose, tuberculose miliar<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Imunol\u00f3gica<\/td>\n<td>Neutropenia auto-imune, neutropenia neonatal aloimune<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes o leucograma apresenta situa\u00e7\u00f5es de eosinofilia. No Brasil, as eosinofilias s\u00e3o causadas por infesta\u00e7\u00f5es parasit\u00e1rias (ascaris, estrongil\u00f3ides e schistosomas, principalmente). H\u00e1 tamb\u00e9m as eosinofilias familiares (benignas) e as s\u00edndromes hipereosinof\u00edlica \u2013 essas necessitam de cuidados m\u00e9dicos adequados. Outras causas de eosinofilias s\u00e3o: alergia, c\u00e2ncer com met\u00e1stases, doen\u00e7a de Hodgkin, leucemia miel\u00f3ide cr\u00f4nica, eczema, psor\u00edase, p\u00eanfigo e dermatite.<\/p>\n<p>Por todas essas raz\u00f5es e muitas outras que n\u00e3o foram elencadas nessa apresenta\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise do leucograma deve ser criteriosamente elaborada. Para finalizar, a tabela 7 apresenta as principais altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas dos leuc\u00f3citos.<\/p>\n<p><strong>Tabela 7: Principais altera\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas em leuc\u00f3citos.<\/strong><\/p>\n<table width=\"500\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><b>C\u00e9lula<\/b><\/td>\n<td>\n<p align=\"center\"><b>N\u00facleo<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\"><b>Citoplasma<\/b><\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\"><b>Associado a:<\/b><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Neutr\u00f3filos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">Pelger-Huet<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">___<\/p>\n<\/td>\n<td>Heran\u00e7a autoss\u00f4mica recessiva.Doen\u00e7as mieloproliferativas.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Neutr\u00f3filos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">___<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Vac\u00faolos<\/p>\n<\/td>\n<td>\u00a0Intoxica\u00e7\u00e3o por benzeno.Infec\u00e7\u00f5es bacterianas.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Neutr\u00f3filos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Hipersegmenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">___<\/p>\n<\/td>\n<td>\u00a0Defici\u00eancia de Vitamina B<sub>12<\/sub>\u00a0e folatos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Neutr\u00f3filos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Macropolicitos<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">___<\/p>\n<\/td>\n<td>\u00a0S\u00edndrome Mielodispl\u00e1sica (SMD)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Neutr\u00f3filos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">___<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Granula\u00e7\u00e3o t\u00f3xica<\/p>\n<\/td>\n<td>\u00a0Infec\u00e7\u00f5es bacterianas.Inflama\u00e7\u00e3o, gesta\u00e7\u00e3o.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Linf\u00f3citos<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Atipias<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Atipias<\/p>\n<\/td>\n<td>\u00a0Infec\u00e7\u00f5es virais.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0Linf\u00f3citos(c\u00e9lulas de Mott)<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">___<\/p>\n<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\">Lip\u00eddios<\/p>\n<\/td>\n<td>\u00a0Doen\u00e7a de Tay-Sachs.Mucopolissacaridoses, HIV.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>An\u00e1lise das plaquetas<br \/>\n<\/strong>As plaquetas s\u00e3o tamb\u00e9m produzidas na medula \u00f3ssea e derivam da fragmenta\u00e7\u00e3o do citoplasma dos megacari\u00f3citos. Tem forma disc\u00f3ide, s\u00e3o anucleares e est\u00e3o presentes no sangue em quantidades vari\u00e1veis entre 140 e 450 x 103\/mm3. Seu tempo de vida m\u00e9dia \u00e9 vari\u00e1vel entre nove e doze dias. A atua\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica das plaquetas \u00e9 fundamental no processo inicial da hemostasia, promovendo a agrega\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas e a adesividade delas com as c\u00e9lulas endoteliais pr\u00f3ximas \u00e0s les\u00f5es. Durante essas atividades hemost\u00e1ticas, as plaquetas funcionam como tamp\u00f5es e promovem o desencadeamento da coagula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. Por essas raz\u00f5es a contagem total de plaquetas e a an\u00e1lise da sua morfologia s\u00e3o muito importantes. Situa\u00e7\u00f5es que causam plaquetopenias (tabela 8) induzem ao sangramento. Por outro lado, pessoas com n\u00famero de plaquetas dentro dos valores padr\u00f5es mas com aus\u00eancia de gr\u00e2nulos (ex.: plaquetas cinzentas) tem sangramentos devido \u00e0 dificuldade da agrega\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Tabela 8: Principais causas de plaquetopenia.<\/strong><\/p>\n<table width=\"500\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"197\"><b>Causas<\/b><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"417\"><b>Situa\u00e7\u00f5es<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"197\">\u00a0Produ\u00e7\u00e3o insuficiente<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"417\">\u00a0Infiltra\u00e7\u00e3o leuc\u00eamica na medula \u00f3ssea.Aplasia de medula, Medicamentos, Produtos qu\u00edmicos, Infec\u00e7\u00f5es virais.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"197\">\u00a0Destrui\u00e7\u00e3o aumentada<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"417\">\u00a0Imunol\u00f3gica por auto e alo-anticorpos.P\u00farpura trombocitop\u00eanica auto-imune.<\/p>\n<p>Esplenomegalia.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td valign=\"top\" width=\"197\">\u00a0Consumo exagerado<\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"417\">\u00a0Coagula\u00e7\u00e3o intravascular disseminada.P\u00farpura trombocitop\u00eanica tromb\u00f3tica.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado o aumento do n\u00famero de plaquetas acima de 450 x 103\/mm3 \u00e9 denominado de plaquetose. Plaquetoses at\u00e9 700 x 103\/mm3 podem ocorrer notadamente na anemia ferropriva, hemorragias agudas, inflama\u00e7\u00f5es e infec\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, anemias hemol\u00edticas, leucemias e policitemia vera. Entretanto h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que a contagem de plaquetas \u00e9 superior a 700 x 103\/mm3 podendo chegar at\u00e9 3.000 x 103\/mm3, como \u00e9 o caso da trombocitemia essencial \u2013 doen\u00e7a mieloproliferativa que desencadeia a forma\u00e7\u00e3o descontrolada das c\u00e9lulas precursoras das plaquetas, os megacari\u00f3citos.<\/p>\n<p>Interfer\u00eancias t\u00e9cnicas podem influenciar na contagem de plaquetas, por exemplo: o excesso de anticoagulante EDTA-K2 induz a forma\u00e7\u00e3o de agrupamentos de plaquetas causando pseudo-plaquetopenia na contagem automatizada; a corre\u00e7\u00e3o se faz contando as plaquetas no esfrega\u00e7o sangu\u00edneo. Em pacientes com leucemias cujos leuc\u00f3citos se fragmentam, bem como na microesferocitose \u2013 com os eritr\u00f3citos muito pequenos, podem induzir a pseudo-plaquetose. Outra vez a an\u00e1lise do esfrega\u00e7o sangu\u00edneo passa a ser fundamental na contagem e corre\u00e7\u00e3o do n\u00famero de plaquetas.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<br \/>\n<\/strong>Em laborat\u00f3rios de atendimento p\u00fablico (n\u00e3o hospitalizado) as altera\u00e7\u00f5es do hemograma s\u00e3o bem menores quando comparadas com laborat\u00f3rios que atendem pacientes hospitalizados. A diferen\u00e7a \u00e9 que nos laborat\u00f3rios de atendimento p\u00fablico o profissional do laborat\u00f3rio n\u00e3o tem contato direto com os m\u00e9dicos dos pacientes, enquanto que nos laborat\u00f3rios de hospitais esse contato \u00e9 quase permanente. Dessa forma, em situa\u00e7\u00f5es de anemias graves, leucocitoses ou leucopenias acentuadas, de plaquetoses e plaquetopenias intensas, bem como presen\u00e7a de c\u00e9lulas sangu\u00edneas jovens (blastos), devem ser comunicadas com os m\u00e9dicos dos pacientes. Essa comunica\u00e7\u00e3o preferencialmente deve ser feita pessoalmente (telefone) pelo respons\u00e1vel do laborat\u00f3rio, na expectativa de confirmar os resultados com a suspeita cl\u00ednica do paciente.<\/p>\n<p>Por fim, h\u00e1 necessidade que o profissional de laborat\u00f3rio tenha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o bons atlas citol\u00f3gicos de hematologia, com as principais altera\u00e7\u00f5es celulares das tr\u00eas s\u00e9ries, e que a consulta \u00e0s informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas sejam constantes.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bain B.J. \u2013 C\u00e9lulas sangu\u00edneas. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Artes M\u00e9dicas, Porto Alegre, 1997.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hoffbrand AV, Petit JE \u2013 Hematologia cl\u00ednica ilustrada. Editora Manole Ltda, S\u00e3o Paulo, 1988.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hoffbrand AV, Petit JE, Moss PAH \u2013 Essential haematology. 4th edition, Blackwell Science, Oxford, 2002.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Lorenzi TF et al \u2013 Manual de Hematologia. Proped\u00eautica e cl\u00ednica. 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Editora M\u00e9dica Cient\u00edfica, S\u00e3o Paulo, 2003.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>McDonald GA, Paul J, Cruickshank B \u2013 Atlas de hematologia. Ed. M\u00e9dica Panamericana, Madrid, 1995.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Naoum PC, Naoum FA \u2013 Hematologia Laboratorial. Eritr\u00f3citos. Editora Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia, S.J. Rio Preto, 2005.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Naoum FA, Naoum PC \u2013 Hematologia Laboratorial. Leuc\u00f3citos. Editora Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia, S.J. Rio Preto, 2006.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Stiene-Martin EA, Steininger CAL, Koepke JA \u2013 Clinical hematology. 2nd edition. Ed. Lippincott, Philadelphia, 1998.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o O hemograma \u00e9 o nome dado ao conjunto de avalia\u00e7\u00f5es das c\u00e9lulas do sangue que, reunido aos dados cl\u00ednicos, permite conclus\u00f5es diagn\u00f3sticas e progn\u00f3sticas de grande n\u00famero de patologias. 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