{"id":509,"date":"2013-07-30T19:30:31","date_gmt":"2013-07-30T19:30:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wordpress\/?page_id=509"},"modified":"2013-09-02T17:27:14","modified_gmt":"2013-09-02T17:27:14","slug":"celulastronco-esclarecendo-e-discutindo-a-polemica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/publicacoes\/artigos-cientificos\/celulastronco-esclarecendo-e-discutindo-a-polemica\/","title":{"rendered":"C\u00c9LULAS TRONCO: ESCLARECENDO E DISCUTINDO A POL\u00caMICA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Imaginem o nosso corpo como uma grande \u00e1rvore, onde os galhos seriam os v\u00e1rios tecidos do corpo e cada folha, uma c\u00e9lula. Pois bem, toda essa variedade de tecidos (galhos) e c\u00e9lulas (folhas) devem se originar de um \u00fanico tronco comum, as c\u00e9lulas tronco. Deste modo podemos definir c\u00e9lula tronco como uma c\u00e9lula imatura que ao se dividir, pode gerar uma c\u00e9lula igual \u00e0 ela (capacidade de auto-renova\u00e7\u00e3o) ou gerar uma c\u00e9lula madura de qualquer tecido do organismo (capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fins de tratamento e pesquisa, as c\u00e9lulas tronco s\u00e3o divididas em adultas ou embrion\u00e1rias. As adultas j\u00e1 s\u00e3o bem conhecidas pela medicina pois s\u00e3o os tipos de c\u00e9lulas usadas para realiza\u00e7\u00e3o de transplante de medula \u00f3ssea. Atualmente j\u00e1 se sabe da exist\u00eancia de c\u00e9lulas tronco adultas n\u00e3o s\u00f3 na medula \u00f3ssea, mas tamb\u00e9m na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, nas c\u00e9lulas de cord\u00e3o umbilical (que tamb\u00e9m s\u00e3o caracterizadas como adultas), f\u00edgado, polpa dent\u00e1ria, entre outros. O problema das c\u00e9lulas tronco adultas \u00e9 que, aparentemente, elas n\u00e3o conseguem se diferenciar em todos os tecidos do corpo. Assim, no transplante de medula \u00f3ssea, as c\u00e9lulas tronco retiradas da medula \u00f3ssea d\u00e3o origem, basicamente, \u00e0s c\u00e9lulas maduras do sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, algumas pesquisas v\u00eam demonstrando que, em certas situa\u00e7\u00f5es, as c\u00e9lulas tronco da medula \u00f3ssea tamb\u00e9m podem se diferenciar em outros tecidos al\u00e9m do sangue, como, por exemplo, m\u00fasculo card\u00edaco. Esta \u00e9 a raz\u00e3o de se retirar c\u00e9lulas tronco da medula \u00f3ssea do paciente e utiliz\u00e1-las para tratamento de infarto agudo do mioc\u00e1rdio ou insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a grande esperan\u00e7a da medicina s\u00e3o a c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias. Estas c\u00e9lulas t\u00eam a capacidade de formar todos os tecidos do corpo humano, por\u00e9m s\u00e3o encontradas apenas no embri\u00e3o humano com poucos dias de vida (fase de blastocisto). \u00c9 a\u00ed que mora a pol\u00eamica, pois para se utilizar c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias para fins de pesquisa o embri\u00e3o precisaria ser destru\u00eddo, o que para algumas pessoas seria considerado interrup\u00e7\u00e3o da vida. Mas \u00e9 importante lembrar que nessa fase, o que chamamos de embri\u00e3o \u00e9 um conjunto de c\u00e9lulas imaturas menores que o ponto final desta frase, que n\u00e3o formaram sequer um tecido ou um \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o tem funcionamento independente, n\u00e3o sentem nada e ainda n\u00e3o est\u00e3o implantadas no \u00fatero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa com c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias humanas envolve a aquisi\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es descartados em cl\u00ednicas de fertiliza\u00e7\u00e3o, os quais seriam inicialmente cultivados at\u00e9 a fase de blastocisto, quando ent\u00e3o as c\u00e9lulas da camada interna deste (c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias) seriam retiradas e estimuladas a manterem-se proliferando ou diferenciarem-se em um determinado tecido. Outra possibilidade atraente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias \u00e9 o processo de clonagem terap\u00eautica. Este processo segue a seguinte sequ\u00eancia: toma-se um \u00f3vulo doado voluntariamente e retira-se o seu material gen\u00e9tico. A seguir insere-se o material gen\u00e9tico da c\u00e9lula uma pessoa no \u00f3vulo e, consequentemente, ap\u00f3s sucessivas divis\u00f5es, t\u00eam-se um blastocisto composto de v\u00e1rias c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias com o material gen\u00e9tico daquela pessoa. As c\u00e9lulas da camada interna do blastocisto seriam ent\u00e3o isoladas e estimuladas em laborat\u00f3rio a produzir um determinado tipo de tecido (m\u00fasculo, neur\u00f4nios, etc.). Por exemplo, para tratar um paciente portador de doen\u00e7a de Parkinson, doen\u00e7a relacionada ao sistema nervoso, retirar\u00edamos o material gen\u00e9tico de uma c\u00e9lula da pele desse mesmo paciente e o implantar\u00edamos em laborat\u00f3rio dentro de um \u00f3vulo doado e sem n\u00facleo, o qual, ao final de sucessivas divis\u00f5es, produziria c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias daquele paciente e estas, por fim, seriam isoladas e estimuladas a produzir neur\u00f4nios saud\u00e1veis que serviriam para tratar a doen\u00e7a de Parkinson do paciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se fiz\u00e9ssemos o processo descrito acima, mas, ao inv\u00e9s de cultivar as c\u00e9lulas em laborat\u00f3rio, implant\u00e1ssemos o blastocisto formado no \u00fatero de uma mulher, esta clonagem n\u00e3o seria mais terap\u00eautica, mas sim reprodutiva, devido ao potencial (muito baixo) de que este embri\u00e3o se desenvolva e origine um ser humano com as mesmas caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas. A clonagem reprodutiva em humanos nunca aconteceu e \u00e9 condenada n\u00e3o s\u00f3 pelos governos, mas tamb\u00e9m por todos os cientistas. Em animais, este tipo de procedimento n\u00e3o \u00e9 novidade. Quem n\u00e3o se lembra da ovelha Dolly? Este foi o primeiro mam\u00edfero clonado no mundo que acabou por morrer precocemente, como que avisando os cientistas sobre a necessidade de se estudar mais sobre o assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como vimos, o tratamento com c\u00e9lulas tronco n\u00e3o \u00e9 simples e quase tudo o que foi feito at\u00e9 o momento \u00e9 de car\u00e1ter experimental. Para se ter uma id\u00e9ia, a pesquisa com c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias humanas tem apenas alguns anos e at\u00e9 o momento os pesquisadores n\u00e3o conseguiram a \u2018f\u00f3rmula\u2019 para fazer com que estas c\u00e9lulas cres\u00e7am em laborat\u00f3rio de forma eficaz e duradoura na quantidade necess\u00e1ria, nem sabem, tampouco, como faze-las se diferenciar em determinado tecido humano. Isto sem levar em considera\u00e7\u00e3o os esfor\u00e7os necess\u00e1rios para driblar os altos riscos de rejei\u00e7\u00e3o quando as c\u00e9lulas embrion\u00e1rias de um indiv\u00edduo forem transplantadas em outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou otimista e, como a maioria dos pesquisadores, acredito que o tratamento com c\u00e9lulas tronco embrion\u00e1rias \u00e9 o futuro e que tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo. Mas ao que tudo indica, muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dr. Fl\u00e1vio Augusto Naoum<\/strong><br \/>\nM\u00e9dico hematologista da Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imaginem o nosso corpo como uma grande \u00e1rvore, onde os galhos seriam os v\u00e1rios tecidos do corpo e cada folha, uma c\u00e9lula. 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