{"id":4266,"date":"2017-06-08T23:37:41","date_gmt":"2017-06-08T23:37:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/?p=4266"},"modified":"2017-06-08T23:38:39","modified_gmt":"2017-06-08T23:38:39","slug":"blog-cientifico-08062017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/blog-cientifico-08062017\/","title":{"rendered":"Blog Cient\u00edfico &#8211; 08\/06\/2017"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;font-size: 20px;font-weight: bold;\">\nMORFOLOGIA HEMATOL\u00d3GICA EM \u00c9POCA DE AUTOMA\u00c7\u00c3O\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;font-size: 17px;font-weight: bold;\">\nPaulo Cesar Naoum, biom\u00e9dico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP, Brasil.\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;font-size: 13px;\">\n     A automatiza\u00e7\u00e3o laboratorial foi uma consequ\u00eancia natural do desenvolvimento das tecnologias em mec\u00e2nica, eletr\u00f4nica e computacional. Os primeiros contadores de c\u00e9lulas desenvolvidos nos anos 60 do s\u00e9culo passado tinham por base a mec\u00e2nica sofisticada e a eletr\u00f4nica de v\u00e1lvulas. Facilitava para o que consider\u00e1vamos como grande rotina de exames hematol\u00f3gicos, qual seja, a de 100 amostras di\u00e1rias! Estes aparelhos, ap\u00f3s realizarem as contagens globais de eritr\u00f3citos e leuc\u00f3citos, precisavam  repousar por quatro horas seguidas at\u00e9 seus componentes eletr\u00f4nicos esfriarem. Nos anos 70, os transistores substitu\u00edram as v\u00e1lvulas e a capacidade de avalia\u00e7\u00e3o dobrou em n\u00fameros de amostras. Esses equipamentos tinham  uma novidade, a telinha de ecr\u00e3. Conforme acionasse a chave de eritr\u00f3citos ou de leuc\u00f3citos, a telinha mostrava um amontoado de pontinhos distribu\u00eddos em forma de curva de Gauss,  que representava o conjunto das c\u00e9lulas contadas. C\u00e9lulas normais se localizavam mais centralmente e as alteradas \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita. Atrav\u00e9s de c\u00e1lculos matem\u00e1ticos esses gr\u00e1ficos passaram a gerar valores de hemat\u00f3crito, hemoglobina e os \u00edndices VCM, HCM e CHCM. Nos anos 80 foi introduzida a tecnologia computacional com placas eletr\u00f4nicas espec\u00edficas e mais sofisticadas que avaliavam algoritmos e, dessa forma, surgiram \u00edndices que mediam as superf\u00edcies dos eritr\u00f3citos e leuc\u00f3citos. Resultaram da\u00ed, por exemplo, o RDW que avalia a porcentagem das altera\u00e7\u00f5es eritrocit\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o aos tamanhos e  formas, por\u00e9m sem  capacidade para diferencia-las. Nesse per\u00edodo surgiu, tamb\u00e9m,  algoritmos que definiram  a contagem diferencial de leuc\u00f3citos em dois grupos: granul\u00f3citos e c\u00e9lulas mononucleares, al\u00e9m da contagem global de plaquetas. Entretanto,  nos anos 90 as ind\u00fastrias de equipamentos de laborat\u00f3rios passaram a oferecer contadores de c\u00e9lulas com boa defini\u00e7\u00e3o de resultados e mais robustos para a grande rotina . O desenvolvimento de sistemas computacionais &#8211; softwares espec\u00edficos &#8211; associados a espelhos para capta\u00e7\u00e3o de imagens de c\u00e9lulas, permitiram a diferencia\u00e7\u00e3o dos granul\u00f3citos em neutr\u00f3filos, eosin\u00f3filos e bas\u00f3filos, bem como  distinguir as c\u00e9lulas mononucleares em linf\u00f3citos e mon\u00f3citos. Por meio dessas an\u00e1lises obteve-se  registros al\u00e9m do tamanho celular, com destaques para o volume de gr\u00e2nulos citoplasm\u00e1ticos e tamanho  nuclear.   Esses equipamentos passaram tamb\u00e9m a contar reticul\u00f3citos. No fim da d\u00e9cada de 1990 e in\u00edcio dos anos 2000 foram estabelecidas  as t\u00e9cnicas de imunofenotipagens e que foram acopladas \u00e0s contagens de c\u00e9lulas, iniciando, assim, a citometria de fluxo. Essa nova metodologia foi fundamentada na diferencia\u00e7\u00e3o de centenas de determinantes de ant\u00edgenos de membrana das c\u00e9lulas do sangue e de outros tecidos. Os ant\u00edgenos foram classificados numericamente em diferentes grupos, internacionalmente conhecidos por Cluster of Differentiation ou, simplesmente, CD. As primeiras aplica\u00e7\u00f5es serviram para avaliar quantitativamente  os linf\u00f3citos CD4 e CD8, mudando completamente o paradigma para diagn\u00f3sticos e procedimentos terap\u00eauticos da s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida, a AIDS. A partir de ent\u00e3o diagn\u00f3sticos para leucemias,  linfomas e outras patologias mieloproliferativas passaram a utilizar a imunofenotipagem, e as  c\u00e9lulas suspeitas de anormalidades puderam ser quantificadas   por citometria de fluxo. Mesmo com todo o progresso tecnol\u00f3gico dos contadores automatizados, a microscopia das c\u00e9lulas do sangue permanece fundamental para a complementar a avalia\u00e7\u00e3o do hemograma. A automa\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada dispon\u00edvel at\u00e9 o presente n\u00e3o consegue destacar, por exemplo,  c\u00e9lulas falciformes,  policromasia,  diferencia\u00e7\u00e3o entre esquis\u00f3citos e c\u00e9lulas fragmentadas. Nem mesmo a bela figura da c\u00e9lula em alvo consegue ser detectada pela automa\u00e7\u00e3o. Esses equipamentos carecem de sensibilidade para diferenciarem o roleaux (empilhamento de eritr\u00f3citos) da aglutina\u00e7\u00e3o eritrocit\u00e1ria. Da mesma forma n\u00e3o detecta as inclus\u00f5es celulares eritrocit\u00e1rias de pontilhados bas\u00f3filos e os corpos de Howell-Jolly, ou as inclus\u00f5es de gr\u00e2nulos t\u00f3xicos,  vac\u00faolos citoplasm\u00e1ticos,  corpos de Dohle ou gr\u00e2nulos de Chediak-Higashi em neutr\u00f3filos. Somando-se a essas defici\u00eancias anal\u00edticas, destaca-se a incapacidade dos equipamentos automatizados em  identificarem e diferenciarem os linf\u00f3citos at\u00edpicos de plasm\u00f3citos, c\u00e9lulas de Mott e corpos de Russel, assim como as plaquetas agranulares daquelas  com distribui\u00e7\u00e3o anormal de gr\u00e2nulos.   Por todas essas raz\u00f5es e por mais fant\u00e1sticas que sejam as ofertas  da automa\u00e7\u00e3o hematol\u00f3gica, os hemogramas com contagens alteradas, ou com ind\u00edcios de anormalidades (flags), devem ser indiscutivelmente submetidos \u00e0s an\u00e1lises microsc\u00f3picas. Com esses procedimentos corretos, os resultados ser\u00e3o mais apropriados e seguros para o diagn\u00f3stico m\u00e9dico.\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MORFOLOGIA HEMATOL\u00d3GICA EM \u00c9POCA DE AUTOMA\u00c7\u00c3O Paulo Cesar Naoum, biom\u00e9dico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP, Brasil. &nbsp; A automatiza\u00e7\u00e3o laboratorial foi uma consequ\u00eancia natural do desenvolvimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"aside","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4266","post","type-post","status-publish","format-aside","hentry","category-sem-categoria","post_format-post-format-aside"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-thumbnail":false,"business-hub-blog":false,"business-hub-work":false},"uagb_author_info":{"display_name":"real","author_link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/author\/real\/"},"uagb_comment_info":21,"uagb_excerpt":"MORFOLOGIA HEMATOL\u00d3GICA EM \u00c9POCA DE AUTOMA\u00c7\u00c3O Paulo Cesar Naoum, biom\u00e9dico, professor titular pela UNESP e diretor da Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, SP, Brasil. &nbsp; A automatiza\u00e7\u00e3o laboratorial foi uma consequ\u00eancia natural do desenvolvimento [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4266"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4268,"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4266\/revisions\/4268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}