{"id":4456,"date":"2017-10-27T16:38:20","date_gmt":"2017-10-27T16:38:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ciencianews.com.br\/?p=4456"},"modified":"2017-10-27T16:38:20","modified_gmt":"2017-10-27T16:38:20","slug":"blog-cientifico-27102017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ciencianews.com.br\/index.php\/blog-cientifico-27102017\/","title":{"rendered":"Blog Cient\u00edfico &#8211; 27\/10\/2017"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: center;font-size: 20px;font-weight: bold;\">\nSOMOS TODOS ETERNOS\n<\/div>\n<div style=\"text-align: center;font-size: 17px;font-weight: bold;\">\nPaulo Cesar Naoum, biom\u00e9dico, professor titular pela Unesp, diretor da Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia e ocupa a cadeira 33 da ARLC. Autor do livro Em nome do DNA, Livraria M\u00e9dica Paulista, 2010.\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;font-size: 13px;\">\n<p>O sonho de muitas pessoas \u00e9 ser eterno. Ser eterno, atrav\u00e9s da alma, \u00e9 poss\u00edvel, conforme apregoava   Jesus Cristo h\u00e1 2 mil anos. A eternidade, na linguagem figurativa de Cristo, significa no atual entendimento  que patrim\u00f4nios gen\u00e9ticos de uma pessoa est\u00e3o presentes em seus filhos e entre seus parentes assemelhados,   difundindo-se, portanto, de modo cont\u00ednuo e por tempo indefinido. Neste contexto \u00e9 poss\u00edvel substituir a exposi\u00e7\u00e3o figurativa da alma pela da mol\u00e9cula de DNA. Como a dois mil anos n\u00e3o se conhecia o DNA, resgatou-se o conceito de alma como o elemento imortal proposto por Plat\u00e3o.  Na sequ\u00eancia deste pensador grego, seu disc\u00edpulo Arist\u00f3tales  apresentou o  sentido  metaf\u00edsico da alma atrav\u00e9s das percep\u00e7\u00f5es que d\u00e3o sentidos \u00e0 vida, incluindo o pensamento, a intelig\u00eancia,  a harmonia, entre outros, como veremos adiante. Muito tempo depois, Santo Agostinho definiu a eternidade da alma em sua obra \u201cConfiss\u00f5es\u201d da seguinte forma:  o homem, enquanto ser,  partilha da eternidade, atrav\u00e9s de sua alma imortal num corpo suscet\u00edvel \u00e0 morte. Outros ilustres pensadores propuseram por s\u00e9culos diversas teorias sobre a imortalidade da alma. Independente de suas estruturas ideol\u00f3gicas, muitos conceitos tidos como verdades indiscut\u00edveis se perpetuaram at\u00e9 1953, quando os pesquisadores da Universidade de Cambridge, Inglaterra, James Watson e Francis Crick, descreveram  a estrutura  b\u00e1sica da mol\u00e9cula de DNA. A partir desta descoberta o mundo passou a ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o  uma avalanche de informa\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s das quais provou-se que as mol\u00e9culas de DNA inseridas em genes s\u00e3o a ess\u00eancia biol\u00f3gica da vida e  podem,  realmente, promoverem cont\u00ednuas transmiss\u00f5es  de heran\u00e7as gen\u00e9ticas por indefinidas gera\u00e7\u00f5es, fato  que resulta na imortalidade de qualquer ser vivo, seja ele v\u00edrus, bact\u00e9rias, animais ou vegetais. Sob o ponto de vista antropol\u00f3gico, quando se considera especificamente a cronologia do desenvolvimento humano, verifica-se que h\u00e1 70 mil anos ocorreu algo formid\u00e1vel, qual seja  a revolu\u00e7\u00e3o cognitiva da nossa esp\u00e9cie. A partir da\u00ed desenvolveu-se a linguagem ficcional, o racioc\u00ednio e o pensamento. Neste encadeamento evolutivo o ser humano passou a ser considerado \u00fanico e especial, obviamente por n\u00f3s, que fazemos parte desta esp\u00e9cie.   Enfim, considerando as informa\u00e7\u00f5es importantes e necess\u00e1rias para o presente artigo, foi poss\u00edvel concluir que somos todos eternos, ou melhor, biologicamente eternos, notadamente se modernizarmos os princ\u00edpios aristot\u00e9licos a respeito da alma. Segundo Arist\u00f3tales,  a alma do ser humano \u00e9 composta por tr\u00eas partes: 1) a alma vegetativa, que \u00e9 o princ\u00edpio que regula as atividades biol\u00f3gicas. Est\u00e1 presente em todos os seres vivos, plantas e animais,  inclusive no homem. \u00c9 respons\u00e1vel pelos instintos, impulsos, crescimento, nutri\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o; 2) a alma sensitiva ou desiderativa, que est\u00e1 presente somente nos animais, capaz de coordenar conscientemente os movimentos corporais e \u00e9 respons\u00e1vel pelas sensa\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es das peculiaridades dos objetos; 3) a alma intelectiva ou pensante, que \u00e9 exclusiva do ser humano, capaz de pensar discursivamente, elaborar teorias e pensar em explica\u00e7\u00f5es. \u00c9 dela que deriva a capacidade de formular ju\u00edzos sobre a realidade. Pin\u00e7ando o resumo da teoria de Arist\u00f3tales e transportando para as conclus\u00f5es do Projeto Genoma Humano, as tr\u00eas partes da alma do ser humano est\u00e3o contempladas nas a\u00e7\u00f5es dos quase 25 mil genes que coordenam todas as nossas fun\u00e7\u00f5es e pensamentos, com destaques para longevidade, comportamento, apetite, obesidade, doen\u00e7as, virtudes, maldades, intelig\u00eancia, resist\u00eancia f\u00edsica, etc. Por todas essas raz\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel  admitir que somos todos biologicamente eternos.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOMOS TODOS ETERNOS Paulo Cesar Naoum, biom\u00e9dico, professor titular pela Unesp, diretor da Academia de Ci\u00eancia e Tecnologia e ocupa a cadeira 33 da ARLC. 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