O TS NO PAÍS DA JBS
Paulo Cesar Naoum – Biomédico, Professor Titular pela Unesp e Diretor da Academia de Ciência e Tecnologia de S.J. do Rio Preto, SP.

 

O TS do título se refere ao Tempo de Sangramento, um dos testes que compõe o coagulograma e que será o tema principal deste artigo. A referência ao país da JBS, entretanto, os leitores do momento, sabem o que significa a sigla e certamente se sentem enganados como crianças impúberes diante de um mágico de circo mambembe. Para os leitores do futuro, isto é, se algum dia este artigo for descoberto em algum canto de estante, TS continuará sendo Tempo de Sangramento e JBS será a representação do que foi o maior esquema de roubo do nosso país, da contribuição para o seu atraso social, econômico e cultural. A JBS terá sido, provavelmente, a principal causa do rompimento institucional da velha política nascida ainda na monarquia e que continuou na era republicana do Brasil, democrática ou não, no período referente aos anos 2002 – 2018. Comandada por uma dupla de irmãos com cultura de analfabetos funcionais, foi capaz de enganar os mais ladinos dos políticos, os mais pomposos dos magistrados e os mais fiscalizadores profissionais da receita federal. Suas decisões sem fundamentos estruturais às políticas razoáveis, aliadas aos mais vexatórios esquemas de roubos qualificados, afundaram o país e o seu povo no limbo das incertezas. Por outro lado o teste do TS continuará sendo discutido, ora amado e ora desconjurado, por muitos e muitos anos. Este tema, em que o TS é o ator principal, foi tirado do seguinte comentário feito por um dos nossos alunos: – Participei recentemente de workshop sobre coagulograma em congresso promovido por uma das sociedades representativas da área de laboratório clínico. Ao abordarem o tema da validade ou não do TS como teste laboratorial, as discussões foram tão acaloradas que os componentes da mesa, baseados na falta de um consenso, decidiram retirar o TS do coagulograma, com indicação sustentada, em seguida, pela aludida sociedade representativa.
Vejam, leitores deste artigo, um grupo de pessoas nervosas com o TS decidiram retira-lo do rol do coagulograma. Que facilidade, não é? Esta decisão não considerou pesquisas científicas, avaliações estatísticas e fundamentos conceituais, entre outras formas necessárias para tamanha decisão. Simplesmente, numa reunião típica dos grupelhos políticos, decidiram que o TS não serve para nada!
Vou ocupar os 160 caracteres que me restam para defender o TS. Este é um teste de triagem que não foi elaborado para quem só sabe apertar botões. Embora seja pouco sensível, ele revela o seguinte: quando alongado pode indicar uma das seguintes situações:

1) plaquetopenia (que pode ser comprovada pela contagem de plaquetas);
2) defeito da função plaquetária (falta de grânulos, plaquetas cinzentas, excesso de macroplaquetas, etc.), mesmo que sua contagem esteja normal;
3) defeito vascular (endurecimento dos vasos na velhice, em fumantes crônicos ou vasculopatias adquiridas ou constitucionais).
Ao optar por um dos dois métodos (Duke ou Ivy), o profissional, obviamente treinado para executa-lo com a devida competência e capacitado para interpretar seus resultados, fornecerá ao médico resultados que podem definir suas suspeitas ou conclusões diagnósticas, beneficiando o paciente. Simples assim!

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